Células do sistema imune partilham informação tal como as abelhas

Estudo publicado na “Nature Immunology”

18 março 2013
  |  Partilhar:

Os linfócitos T partilham uma nova informação, tal como fazem as abelhas quando encontram uma nova fonte de mel. De acordo com o estudo publicado na “Nature Immunology”, esta capacidade em partilhar informação ajuda no desenvolvimento de uma resposta imune adequada contra um patogénio ou vacina.
 

"Os linfócitos T agrupam-se com o objetivo de compartilhar informações, transmitirem o que descobriram sobre um novo patogénio ou vacina, que por sua vez ajuda o sistema imunológico a desenvolver uma resposta coordenada à substância estranha", revelou em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Matthew Krummel, acrescentando que a descoberta pode ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos para o combate de doenças.
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores da University of California, nos EUA, sugere que esta descoberta pode ser particularmente interessante para o desenvolvimento de vacinas, uma vez que ainda não se sabe ao certo como estas funcionam. “Sabemos que as vacinas são eficazes vários anos após a sua administração, mas não sabemos porquê. Ao que parece a agregação dos linfócitos T parece estar envolvida neste processo”, disse o investigador.
 

Neste estudo os investigadores verificaram que quando um linfócito T atinge os nódulos linfáticos ou se depara com substâncias estranhas como o conteúdo de uma vacina, vírus ou bactérias, juntam-se durante algum tempo, que pode demorar entre horas a um dia, antes de ficarem expostas ao material estranho. De acordo com os autores do estudo este é o chamado “período crítico de informação”.  
 

O estudo sugere que este “período crítico de informação” é necessário para que a memória imunológica seja formada. É por ter acesso a este tipo de memória que o sistema imunológico é capaz de reconhecer os patogénios aos quais esteve exposto anos antes. Caso o sistema imunológico não tivesse esta memória de longa duração as vacinas seriam inúteis, explicou Matthew Krummel.
 

De forma a chegarem a estas conclusões, os autores do estudo vacinaram ratinhos contra a Listeria e expuseram, posteriormente os animais a esta bactéria. Metade dos animais teve um “período crítico de informação” normal, enquanto na outra metade este período foi bloqueado.
 

Os investigadores verificaram que os ratinhos que tiveram acesso ao período crítico de informação permaneceram saudáveis e não ficaram infetados. Por outro lado, o outro grupo de animais ficou infetado, como se não tivessem sido vacinados.
 

De acordo com Matthew Krummel, tendo em conta que os linfócitos T partilham informação e agem conjuntamente, poderá ser possível manipular a sua resposta numa determinada direção ou melhora-la globalmente. Por outro lado, esta descoberta pode ser útil nas doenças autoimunes, como o lúpus ou diabetes, o bloqueio da formação de memória, de forma  a talvez reduzir a reatividade excessiva do sistema imunológico que caracteriza este tipo de doenças.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.