Células do coração regeneram-se

Teoria da danificação irreparável do músculo cardíaco é posta em causa

04 janeiro 2002
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As células do coração podem regenerar-se, revela um estudo efectuado por cientistas norte-americanos e italianos e publicado ontem no "New England Journal of Medicine". Deste modo, cai por terra a teoria tradicional que os danos sofridos pelo músculo cardíaco são irreparáveis.
 

 

Os cientistas descobriram que o órgão pode abrigar reservas de células estaminais, capazes de regenerar o tecido danificado. O trabalho foi realizado com homens que receberam implante de corações doados por mulheres. As conclusões do estudo revelaram que as células primitivas dos receptores migraram para o coração doado, local em que se transformaram em novas células musculares e deram origem a vasos sanguíneos.
 

 

O fenómeno foi descoberto quando os cientistas identificaram um número considerável de células num coração implantado que continham o cromossoma Y -cromossoma sexual masculino, presente nas células provenientes dos próprios receptores do transplante.
 

 

Embora o estudo não tenha comprovado este facto, Piero Anversa, chefe da equipa de investigadores do New York Medical College, em Valhalla, acredita que as células estaminais movimentaram-se para o órgão doado a partir de pequenas porções que restaram do coração do próprio receptor. Anversa explicou ainda que a equipa não exclui a possibilidade destas células serem procedentes da medula óssea, que contém as células estaminais que originam o sangue. "A investigação indicou que o coração possui uma população de células estaminais cardíacas. Isso sugere que o órgão tem capacidade de se regenerar", explicou o especialista.
 

 

Essa ideia vem assim contrariar o "dogma" da cardiologia que afirma não existirem célula estaminais cardíacas - populações de células imaturas no coração com potencial de se dividir, proliferar e substituir as células maduras mortas por enfartes e outras doenças.
 

 

Com este estudo passaram a existir provas suficientes da capacidade regeneradora do coração, defendem os cientistas. O próximo passo, garantem os cientistas, é conseguir aproveitar o potencial de cura para tratar os órgãos danificados. “Esta poderá ser uma descoberta histórica se aprendermos a explorar este fenómeno com propósitos terapêuticos em pacientes com problemas de coração", sublinhou o médico Robert Bolli, da Universidade de Louisville.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

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