Células da placenta evitam transmissão de vírus para o feto

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

05 julho 2013
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As células da placenta parecem ter uma capacidade única para que os vírus não sejam transmitidos da mãe para o filho, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

O líder do estudo, Yoel Sadovsky, referiu que é imperativo que o feto esteja protegido das infeções, de forma a se desenvolver adequadamente. Mas o modo como a placenta, uma barreira passiva entre a mãe e o feto, é capaz de exercer esta proteção não tinha sido clarificado, até à data.
 

“O nosso estudo demonstrou como alguns dos mecanismos complexos e elegantes das células placentárias humanas, conhecidas por trofoblastos, evoluíram para impedir que os vírus infetem as células”, revelou em comunicado de imprensa o investigador.
 

Neste estudo os investigadores da Universidade de Pittsburgh, nos EUA, expuseram células trofoblásticas humanas a vários vírus. Contrariamente às células não placentárias, os trofoblastos mostraram-se resistentes à infeção, não sendo este o resultado da incapacidade do vírus se associar ou entrar nas células.
 

O estudo apurou que, quando o meio em que os trofoblastos foram cultivados foi transferido para células não placentárias, estas também se tornaram resistentes à infeção. Os investigadores verificaram igualmente que, quando o meio tinha sido exposto a ultrassons, a resistência aos vírus já não era transferida para as células não placentárias. Este achado conduziu à análise dos exossomas, pequenas vesículas que são secretas por trofoblastos e que são sensíveis aos ultrassons.
 

Os autores do estudo verificaram que os exossomas tinham fragmentos genéticos denominados por microRNA que eram capazes de induzir a autofagia, um mecanismo envolvido na reciclagem celular e na sobrevivência. O bloqueio da autofagia, pelo menos parcialmente, restaurou a vulnerabilidade das células à infeção.
 

"Os nossos resultados sugerem que esta via pode ser uma adaptação evolutiva para proteger o feto e a mãe das infeções víricas. Talvez sejamos capazes de utilizar estes microRNAs para reduzir o risco de infeção viral noutras células, ou talvez utilizá-las no tratamento de doenças onde reforço autofagia seria benéfico”, conclui uma das coautoras do estudo, Carolyn Coyne.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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