Células da pele transformadas em células do fígado funcionais

Estudo publicado na “Nature”

26 fevereiro 2014
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Investigadores americanos descobriram uma forma de transformar células da pele em células hepáticas maduras, que crescem mesmo após terem sido transplantadas em animais com insuficiência hepática, dá conta um estudo publicado na revista Nature”.
 

Estes resultados fornecem uma nova esperança para os milhões de indivíduos que sofrem ou têm o risco de ter insuficiência hepática. Esta é uma condição cada vez mais comum que resulta na perda progressiva e irreversível da função hepática. Atualmente, a única opção de tratamento é o transplante do fígado. Há muito que os cientistas tentam utilizar células estaminais para produzir uma alternativa eficaz ao transplante, mas até à data não tinham conseguido.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Califórnia, nos EUA, utilizaram um cocktail de genes e de compostos químicos para transformar células da pele em células semelhantes às da endoderme.
 

“Em vez de reprogramarmos as células da pele para um estádio inicial, fizemos apenas metade do caminho e produzimos células parecidas com as da endoderme. Este passo permitiu a produção de um grande reservatório de células que poderiam ser mais facilmente induzidas para se diferenciarem em células do fígado”, revelou, em comunicado de imprensa, Saiyong Zhu.
 

Os investigadores descobriram ainda um conjunto de genes e compostos que são capazes de transformar estas células, em células hepáticas funcionais. Após algumas semanas, foi observado que as células adquiriram a forma das células hepáticas, bem como as suas funções. “Ainda não eram células completamente maduras, mas estavam num bom caminho”, disse um outro autor do estudo, Milad Rezvani.
 

Posteriormente estas células foram transplantadas nos fígados de ratinhos. Ao longo de nove meses, a função e o crescimento das células foram monitorizados através da medição de proteínas e genes específicos do fígado.
 

Dois meses após o transplante, foi verificado que havia um aumento nos níveis de proteína do fígado humano, o que era indicativo que as células estavam a ficar maduras e funcionais. Ao fim dos nove meses, não houve sinais de desaceleração do crescimento, o que indica que os investigadores encontraram os fatores necessários para que o tecido hepático se regenere com sucesso.
 

Apesar de ainda restarem muitas perguntas, os investigadores acreditam que esta técnica poderá funcionar como alternativa para os pacientes com insuficiência hepática que não necessitam de transplante total do órgão, ou que não têm acesso a este procedimento devido à falta de disponibilidade de órgãos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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