Células cardíacas são convertidas em pacemakers biológicos

Estudo publicado nos “Nature Biotechnology”

19 dezembro 2012
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Investigadores americanos conseguem converter células cardíacas normais em células capazes de gerar impulsos cardíacos, células pacemaker, através da introdução de um único gene, dá conta um estudo publicado na “Nature Biotechnology”.
 

“Apesar de já se terem desenvolvido pacemakers biológicos, este é o primeiro estudo a demonstrar que um só gene pode converter diretamente células do músculo cardíaco em células pacemaker”, referiu, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Cho Hee Cheol.
 

O estudo refere que as células pacemaker ou do nó sinusal são células especializadas, que são capazes de gerar e enviar impulsos elétricos para que as células do músculo cardíaco se contraiam ritmadamente. Um ritmo sinusal correto e saudável garante a contração precisa das câmaras superiores e inferiores do coração, de forma a assegurar que o sangue é bombeado corretamente. O ritmo sinusal é iniciado no nó sinusal da câmara superior direita do coração, a qual é populada pelas células pacemaker. Caso a função destas células seja afetada, o coração começa a bombear de uma forma irregular e a única opção de sobrevivência passa pela colocação de um pacemaker eletrónico. Contudo, este tipo de procedimento só pode ser realizado em pacientes suficientemente saudáveis para serem submetidos à cirurgia.
 

Neste estudo, os investigadores do Cedars-Sinai Heart Institute, nos EUA, utilizaram um vírus geneticamente modificado para inserir um gene, o Tbx18, em células do músculo cardíaco e as converter em células pacemaker. Os autores do estudo explicaram que o gene Tbx18 desempenha um papel importante no desenvolvimento de células pacemaker embrionárias. Foi constatado que as novas células criadas apresentavam as mesmas características das células pacemaker nativas.   
 

Estudos anteriores já tinham desenvolvido com sucesso este tipo de células a partir de células cardíacas, contudo estas assemelhavam-se mais às células cardíacas do que às pacemaker. Outros investigadores também já tinham tentado utilizar células estaminais embrionárias para produzir células pacemaker. No entanto, este procedimento estava associado ao risco de produção de células tumorais.
 

Após terem ultrapassado todos estes obstáculos, de uma forma extremamente simples, os investigadores acreditam que esta terapia poderá ser administrada através da injeção do gene Tbx18 no coração dos pacientes ou pela produção de células pacemaker em laboratório que depois seriam transplantadas. Os autores do estudo referem que ainda são necessários mais estudos de segurança e eficácia antes de estes ensaios clínicos de ser ponderada a aplicação em humanos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.  
 

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