Células cancerosas podem atravessar a placenta e “infectar” o feto

Estudo publicado na revista PNAS

15 outubro 2009
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As células cancerosas presentes no corpo da mãe podem atravessar a placenta e instalarem-se no feto, refere um estudo de caso publicado revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), o primeiro a demonstrar cientificamente esta relação.

 

O estudo liderado por Mel Greaves, do Institute of Cancer Research da Grã-Bretanha, demonstrou, pela primeira vez, a transmissão da doença da mãe para o feto. O caso analisado foi o de uma mulher japonesa, de 28 anos, e da sua bebé. Sem apresentar sintomas da doença durante a gravidez, a mulher morreu de uma leucemia aguda um mês e meio após o parto. Passados 11 meses, foi detectado um linfoma na bebé. A criança, actualmente com três anos, encontra-se em remissão da doença.

 

Recorrendo a sofisticadas técnicas de identificação genética, os especialistas chegaram à conclusão de que as células tumorais que desenvolveram a doença na criança foram transmitidas pela mãe quando o feto se encontrava no útero.

 

Os cientistas também tentaram perceber por que razão o sistema imunitário da bebé não reconheceu as células cancerosas como uma ameaça e, por isso, não as destruiu. A resposta, segundo o estudo, estaria na ausência de determinado material genético nas células cancerosas, material que seria essencial para a identificação dessas células por parte do sistema imunitário da criança.

 

Este tipo de casos é objecto de estudos médicos há mais de cem anos, e acreditava-se que as defesas do sistema imunitário do bebé fossem capazes de destruir as células tumorais que porventura atravessassem a placenta, mas nada estava cientificamente comprovado. Até ao momento, existem 17 casos documentados de mães e filhos que se julga serem vítimas do mesmo cancro e em todos eles o tipo de cancro em questão ou é leucemia ou melanoma.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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