Células cancerígenas refugiam-se no timo

Estudo publicado na “Cell”

03 novembro 2010
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Um novo estudo sobre os factores que permitem que algumas células cancerígenas resistam à quimioterapia, levando ao reaparecimento do cancro, foi publicado na revista “Cell”.

 

Para este estudo, os investigadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em Cambridge, EUA, analisaram ratinhos com linfoma, mostrando que os estímulos provenientes de células saudáveis, em resposta ao stress da quimioterapia, podem proteger as células vizinhas cancerígenas.

 

O autor do estudo, Michael Hemann, explica que a quimioterapia mata as células tumorais e simultaneamente provoca respostas de stress que protegem um subconjunto de células cancerígenas da acção do tratamento. Este sinal de stress, mediado pela molécula interleuquina 6 (IL-6), permite que as células cancerígenas permaneçam “escondidas” no timo.

Os investigadores revelaram ainda que as células humanas de cancro de fígado produzem IL-6, mesmo quando tratadas com o agente quimioterápico doxorrubicina. Quando bloquearam a IL-6, a quimioterapia revelou-se mais eficaz, uma vez que as células cancerígenas eram mais propensas a morrerem.

No passado, a maioria dos estudos de resistência à quimioterapia era focada apenas nas células cancerígenas. Mas os dados mais recentes começaram a sugerir que a resistência à quimioterapia poderia estar relacionada com factores externos, tais como moléculas de sinalização do sistema imune (citoquinas) ou factores de crescimento.

 

Este novo estudo comprova estes dados e é um dos poucos a considerar o papel do microambiente tumoral na evolução da quimioterapia, revelam os investigadores.

 

Michael Hemann refere que estas descobertas mostram como a biologia básica pode ser importante para o desenvolvimento de novas e melhores terapias de combinação para combater o cancro. A sua equipa planeia a realização de estudos pré-clínicos para perceber se a quimioterapia, em conjunto com terapias anti-IL-6, podem melhorar os resultados do tratamento em animais com linfoma e carcinoma hepatocelular.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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