Celíacos estão a aumentar em Portugal

Alimentos sem glúten custam o dobro dos “normais”

19 maio 2014
  |  Partilhar:

O número de doentes celíacos está a aumentar em Portugal. Apesar de a associação destes doentes considerar que é muito importante a diversificação da alimentação, os alimentos sem glúten custam o dobro dos “normais”.
 

Um cabaz com vários produtos sem glúten, elaborado pela agência Lusa a propósito do dia internacional dos celíacos, que se assinalou na passada sexta-feira mostra que, em média, os alimentos custam mais 132% do que aqueles com a proteína.
 

O cabaz inclui um pacote de bolachas, farinha para pão, farinha, massa esparguete, pão de forma, cereais e queques, sendo que dois destes produtos custam mais do triplo no cabaz apto para doentes celíacos. Um pacote de farinha “normal” selecionado pela agência Lusa custa 0,83 euros, enquanto um sem glúten fica por 3,07 euros, ou seja, mais 269%.
 

“Há produtos em que se pode atingir três vezes a diferença de preço”, explicou à agência Lusa a presidente da Associação Portuguesa de Celíacos (APC) Mafalda Carvalho, lembrando que há “uma panóplia de coisas” que se podem comer exatamente iguais à alimentação de uma pessoa não intolerante.
 

Mafalda Carvalho refere que focar a atenção no preço de um cabaz de produtos sem glúten pode ser “desmotivador” para um celíaco e defendeu que, para ultrapassar a situação, deve fazer-se uma alimentação saudável e variada.
 

“Não precisamos de estar todos dos dias a comer massas ou fazer bolos sem glúten. Podemos comer peixe, arroz, carne, fruta, legumes, leguminosas, como qualquer outra pessoa”, disse.

 

A Doença Celíaca (DC) é uma doença autoimune crónica, que afeta indivíduos com predisposição genética, causada pela permanente sensibilidade ao glúten que, ao ser ingerido, provoca lesões na mucosa do intestino e origina uma diminuição da capacidade de absorção dos nutrientes. O único tratamento para a doença celíaca – que normalmente surge entre os seis e os 20 meses - é uma dieta isenta de glúten.

 

A dieta sem glúten tem-se tornado uma moda na sequência da sua adoção por várias atrizes que queriam emagrecer, facto que não desmoralizada a responsável, antes pelo contrário.

 

“Para nós é ótimo. Obviamente que, ao lado disso, passam mensagens erradas, quando dizem que comer sem glúten emagrece, mas isso não está de todo cientificamente provado. Há muitos gastroenterologistas que contestam estas dietas, dizendo que as pessoas devem fazer uma alimentação variada”, explicou.

 

Quanto à comunidade médica, Mafalda Carvalho considera que os gastroenterologistas estão “mais despertos e mais atentos”, salientando que “há muito mais pessoas a serem diagnosticadas ultimamente, quer na pediatria, quer na gastroenterologia adulta”.
No entanto, a responsável da APC explica que ainda “há muito trabalho a fazer” com os médicos de família, sobretudo aqueles que estão mais longe dos grandes centros urbanos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Classificações: 1 Média: 5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.