Cegueira: tratamento inovador foi criado

Médico português liderou os estudos pré-clínicos

31 outubro 2011
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Um tratamento inovador para um tipo de cegueira foi desenvolvido por uma equipa de investigadores, a qual inclui um médico português do Imperial College London e da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova.
 

Os ensaios clínicos, liderados por Robert McLaren, professor de Oftalmologia na Universidade de Oxford, para tratar a cegueira causada por uma doença genética conhecida como coroideremia, começaram esta semana em Oxford.
 

Em declarações à Lusa, o cientista português Miguel Seabra explicou que em causa está uma doença genética, em que “as pessoas adquirem um gene mutado que não funciona e que tem de ser substituído para restituir as suas funções”.
 

Miguel Seabra explicou como foi feito todo este trabalho, que começou com a identificação do gene afectado e o seu posterior isolamento. Conseguida uma cópia funcional do gene, os investigadores tentaram injectá-la nas células, mas sem sucesso, pois estas estão “altamente protegidas”.
 

Para ultrapassar este problema os investigadores decidiram utilizar um vírus no qual “retirámos do vírus todos os genes maus passíveis de causar doenças e introduzimos nele os genes que queríamos. Ao infectar as células, estes vírus vão introduzir o gene bom”, explicou.
 

“Criámos uma estirpe de ratinhos com um gene que imitava a mutação humana. Os ratinhos desenvolveram a doença e tornaram-se a plataforma para desenvolver os estudos pré-clínicos: que tipos de vírus, técnicas de introdução possíveis, tempo de demora, eventual toxicidade e efeitos terapêuticos”, acrescentou.
 

Nos ratinhos, os investigadores optimizaram o tipo de vírus a utilizar, verificaram que as células se normalizavam quando introduzidas na retina dos animais, e comprovaram a ausência de efeitos adversos e a normalização das células.
“Anos de estudo permitiram obter dados para convencer vários comités de ética e terapia génica no Reino Unido para fazer os ensaios clínicos em humanos”, referiu.
 

A coroideremia inclui-se no grande grupo de doenças congénitas da retina  que se caracterizam inicialmente por dificuldade de ver no escuro, perda de campo de visão e finalmente perda da visão central.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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