Cavalheirismo em crise

Hábitos de cortesia, como abrir a porta do carro à namorada, estão a desaparecer da sociedade, indica estudo

20 junho 2001
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O cavalheirismo, que durante séculos espalhou charme pelo sexo feminino, não está completamente morto, mas passa por uma grande crise.
 

 

 

Um equipa de investigadores norte-americanos estudou alguns dos comportamentos de cortesia, tipicamente masculinos, e chegou à conclusão que “já não são o que eram”. Nota-se mesmo uma reviravolta nas atitudes sociais.
 

 

 

E exemplos não faltam. Segundo os resultados do estudo, apresentado no domingo durante o encontro anual da American Psychological Society, as mulheres estão mais propensas a abrir a porta aos homens que o contrário. “A cultura mudou, as atitudes nas relações entre homens e mulheres mudaram e, por isso, este facto reflecte-se no dia-a-dia”, disse Janice D. Yoder, chefe da equipa da Universidade de Akron, Ohio.
 

 

 

Durante meses, os vários membros da equipa “investigaram” os padrões do hábito de abrir a porta de centenas de jovens casais em dois contextos: Encontros amorosos e situações quotidianas mais casuais de casais heterossexuais.
 

 

 

Em situações quotidianas, os investigadores observaram estudantes universitários do sexo masculino e feminino em espaços “neutros” como universidades e cafés.
 

 

 

Em situações de encontro amoroso, Yoder e sua equipa observaram as entradas de restaurantes “chiques” nas noites de sexta-feira ou sábado. Nestes casos, o comportamento era diferente, registrando sinais como mãos dadas.
 

No dia-a-dia, as mulheres abriram a porta aos homens em 55 por cento dos casos, uma redução significativa em relação aos resultados de estudos realizados na década de 80.
 

 

Há 20 anos, os homens jovens geralmente mostravam sinais óbvios de “confusão” quando encontravam uma mulher que lhe abria a porta, apontaram os investigadores.
 

 

 

Mas este hábito tipicamente masculino não está completamente morto. A cortesia de abrir a porta está bastante presente nos encontros amorosos, com mais de dois terços dos homens (67 por cento) a efectuarem este tipo de acção. “No contexto quotidiano houve uma mudança: Homens e mulheres estão a interagir de forma mais igualitária” , acrescentou a investigadora.
 

 

 

As antigas noções sexistas de “cavalheirismo” parecem estar a desaparecer, substituídas por impulsos de educação mais neutros em relação ao género. “No contexto dos encontros amorosos, onde o género tem um lugar central, essa mudança ainda não ocorreu”, explicou a investigadora.
 

 

 

Este é, para a investigadora, um último e ténue sinal de cavalheirismo, já que o hábito de abrir a porta à mulher já desapareceu de outras ocasiões sociais. Porque, segundo Yoder, nos encontros amorosos, “33 por cento das mulheres abrem a porta aos homens. É uma mudança clara”.
 

 

Adaptado por: Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Reuters
 

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