Cateteres centrais de inserção periférica podem provocar coágulos em membros inferiores

Resultados de estudo publicados no “The American Journal of Medicine”

21 agosto 2015
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Um novo estudo levado a cabo pela Universidade do Michigan, nos EUA, revela que a utilização de cateteres centrais de inserção periférica se encontra associada a trombose venosa profunda não só nos membros superiores como também nos membros inferiores.
 
Os cateteres centrais de inserção periférica (CCIP) são um tipo de acesso intravenoso utilizado com frequência para garantir acesso venoso central prolongado em pacientes internados e com o propósito de facilitar a administração de medicação e a monitorização hemodinâmica. 
 
Não obstante os múltiplos benefícios desta técnica, a trombose venosa profunda (TVP), ou coágulo sanguíneo, é uma das possíveis complicações que podem ocorrer nos membros superiores, onde é normalmente implementado este tipo de acesso.
 
Para a investigação foram usados dados de 76.242 pacientes internados em 48 hospitais de Michigan, nos EUA. Os investigadores reviram informação relacionada com a implementação de CCIP, problemas clínicos existentes no doente, fatores de risco para a trombose venosa e eventos relacionados com tromboses nos últimos 90 dias antes do internamento. 
 
No total de 3.790 pacientes que receberam CCIP durante o internamento, registaram-se 876 eventos tromboembólicos, incluindo 208 TVP em membros superiores, 372 em membros inferiores e 296 embolias pulmonares.
 
Após ajuste a outros fatores, os cientistas descobriram que a utilização de CCIP se encontrava associada a um risco três vezes maior de qualquer tipo de evento tromboembólico, quando comparado com pacientes que não receberam CCIP. No que diz respeito a CCIP em membros superiores, o risco associado foi dez vezes mais elevado, enquanto nos membros inferiores este foi quase 50% mais elevado. Por outro lado, não foi detetado um aumento do risco de embolia pulmonar decorrente do uso de CCIP.
 
A investigação revelou ainda que a utilização de fármacos para prevenir tromboembolismos venosos não reduziu o risco de TVP subsequente. 
 
“No conjunto, estes achados sugerem que o fardo trombótico associado a cateteres centrais de inserção periférica poderá não se restringir ao membro onde o aparelho é colocado ou ser facilmente atenuado após a inserção”, referiu, em comunicado, um dos autores do estudo, Vineet Chopra.
 
“O nosso estudo confirmou que os CCIP estão fortemente associados a TVP nos membros inferiores”, revela Chopra, realçando, contudo, que “o que é novidade e digno de nota neste estudo é que a presença de CCIP foi também associada a um aumento de risco de TVP nos membros inferiores”.
 
Como tal, os autores da investigação alertam que os CCIP não são igualmente adequados para todos os pacientes, sendo, por isso, necessário considerar os benefícios e possíveis complicações decorrentes da utilização deste tipo de aparelho, assim como analisar possibilidades alternativas em pacientes com elevado risco de TVP. 
 
“É de notar que os nossos dados sugerem que os profissionais clínicos não devem apenas atentar no membro onde o cateter central de inserção periférica é colocado, mas no risco composto de tromboembolismo venoso entre os pacientes que recebem um cateter central de inserção periférica”, alerta Chopra.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A
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