Cataratas: tratamento pode estar na ativação de uma proteína

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

28 outubro 2013
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As cataratas poderão ser tratadas sem recurso à cirurgia, através da ativação de uma proteína específica, sugere um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

O poder refrator de uma zona do olho humano conhecida por cristalino depende de uma mistura densa de proteínas. Apesar deste conteúdo proteico elevado, o cristalino tem de permanecer limpo e transparente. De forma a consegui-lo, as células presentes nesta zona ocular desenvolveram uma estratégia notável. Na verdade as proteínas persentes no cristalino são apenas criadas uma vez na vida, durante o desenvolvimento embrionário. Elas são tão velhas quanto o próprio organismo. Contudo, para que estas consigam perdurar ao longo de toda a vida têm de estar permanentemente dissolvidas. Caso se agreguem, o cristalino fica opaco e o paciente desenvolve cataratas.
 

Neste estudo os investigadores da Universidade Técnica de Muenchen, na Alemanha, descobriram o mecanismo que as células utilizam para que as proteínas permaneçam dissolvidas durante um maior período de tempo.
 

Os investigadores já tinham conhecimento que as proteínas αA-cristalina e αB- cristalina estavam envolvidas neste processo. Este tipo de proteínas, denominadas por heat shock, estão presentes nas células humanas e ajudam a impedir que outras proteínas formem aglomerados quando a célula é exposta ao calor e stress.
 

Contudo, até à data, pouco se sabia sobre a estrutura e comportamento destas duas proteínas. Há poucos anos, a mesma equipa de investigadores conseguiu decifrar a estrutura da αB- cristalina, que contem 24 subunidades. Em condições normais, quando as células do cristalino não estão sob stress, a proteína encontra-se na forma desvendada pelos investigadores. Contudo, esta forma não ajuda a impedir a aglomeração das outras proteínas.
 

De acordo com os autores do estudo, tinha de haver  um mecanismo que despoletasse a forma ativa da proteína. Neste estudo os investigadores constataram que quando a célula é exposta ao stress, como calor, há grupos fosfato que se ligam a uma região específica da proteína, o que faz com que esta se divida em complexos mais pequenos de seis a doze subunidades cada um. Estas pequenas subunidades ligam-se a outras proteínas e impedem a sua aglomeração.  
 

Os investigadores acreditam que a descoberta de como o cristalino se comporta poderá conduzir ao desenvolvimento de novos tratamentos para as cataratas, sem necessidade de recorrer à cirurgia. Na opinião dos autores do estudo talvez seja possível desenvolver um fármaco que ative o mecanismo da αB- cristalina para limpar a opacidade do cristalino.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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