Casos sociais motivam ocupação de mais 250 camas de grandes hospitais

Declarações dos responsáveis de alguns centros hospitalares

29 julho 2014
  |  Partilhar:

A incapacidade das famílias em acolher os familiares doentes e a falta de respostas sociais fez com que, no primeiro semestre do ano, mais de 250 camas de alguns dos maiores hospitais do país estivessem ocupadas.
 

O tempo de espera da comparticipação económica para o doente ingressar num lar ou para pagar a um cuidador é o “obstáculo mais frequente à efetivação da alta hospitalar”, segundo o Serviço Social do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN).
 

De acordo com a notícia avançada pela agência Lusa, até junho, já foram registadas 57 situações, que demoraram, em média, 13 dias a ser resolvidas. A falta de “vaga imediata” para acolhimento em lares, residências assistidas, centros de acolhimento de crianças e comunidades terapêuticas foi responsável por 29,8% das situações de protelamento de alta.
 

A diretora do Serviço Social do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), Isabel Ventura, referiu que “a maior parte das famílias não abandona os seus idosos. A família tem dificuldade em conciliar a vida familiar e profissional e, por falta de recursos humanos e financeiros, por vezes, não reúne condições para levar o seu doente”, acrescentou.
 

Por outro lado, Isabel Ventura, refere que “continua a ser muito difícil” arranjar vaga num lar comparticipado pela Segurança Social e os lares privados são caros para os rendimentos das famílias.
 

Os casos de alta protelada por razões sociais, que excluem os doentes que aguardam integração na Rede Nacional de Cuidados Continuados (RNCCI), “são excecionais” neste centro hospitalar, que agrega os Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) e dos Covões.
 

Um estudo realizado nos últimos seis meses de 2013, no serviço de Medicina Interna dos HUC, verificou que 45% dos doentes tinham entre 76 e 85 anos, 61% tinham uma dependência elevada e 55% auferiam rendimentos entre 200 e 400 euros mensais.
 

A maioria (61%) vivia com a família e o apoio era assegurado por esta em 89% dos casos, refere o estudo, acrescentando que 46% foram referenciados para a RNCCI.
 

O Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), que engloba os hospitais de S. José, Estefânia, St.º António dos Capuchos, Curry Cabral, Santa Marta e Maternidade Alfredo da Costa, sinalizou 256 casos sociais em 2013, menos 32 do que em 2012.
Até junho, foram registados 128 casos, refere o CHLC, que aponta como principais motivos para o protelamento de alta, as dificuldades das famílias em assumir o papel de principal cuidador, os baixos recursos económicos, a “falta de resposta atempada da rede de suporte formal” e a dependência física e cognitiva dos doentes.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Classificações: 1 Média: 5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.