Casas de granito libertam radão

Gás radioactivo presente em habitações do Norte do país

13 dezembro 2001
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A Pro-Teste Saúde deste trimestre lança o alerta para o radão, um gás radioactivo inodoro e incolor presente na natureza. Este gás provém da desintegração do urânio que se encontra, sobretudo, nas formações graníticas, existindo na atmosfera em níveis de concentração baixos.
 

 

Mesmo assim, e segundo a Pró-Teste, estima-se que esta substância constituia a segunda causa de cancro do pulmão (depois do tabaco). Mas, em ambientes fechados, como é o caso das habitações, os valores podem atingir níveis preocupantes, nomeadamente nas regiões graníticas do país (Guarda, Viseu, Gerês, etc.).
 

 

Em 17% das habitações monitorizadas, os valores detectados ultrapassam os 400 Bq/m3 (o Becquerel, Bq, é a unidade de medição da radioactividade), o limite recomendado pela Comissão Europeia.
 

 

Numa cave situada na Guarda, os níveis situavam-se nos 1751 Bq/m3, ou seja, quatro vezes mais do que o recomendado. Além disso, 22% das casas apresentavam valores suficientemente elevados para que se tomem medidas correctivas. Em cada 100 pessoas expostas diariamente a uma concentração de 400 Bq/m3, seis falecem vítimas de cancro do pulmão, informa aquela revista de defesa dos consumidores.
 

 

Além da influência da geologia, os responsáveis pelo estudo verificaram que o radão provém, sobretudo, do solo adjacente à habitação. Na verdade, as concentrações mais elevadas encontram-se na cave e no rés-do-chão: enquanto que, a partir do segundo piso, o valor máximo encontrado foi de 223 Bq/m3, na cave, ultrapassou os 1700 Bq/m3.
 

 

Os materiais de construção também podem ter influência na concentração de radão: a areia que provém das regiões graníticas e as próprias pedras de granito possuem teores mais elevados.
 

 

Por onde entra o radão na habitação?
 

 

Pelas fissuras no pavimento e nas paredes, pelas junções mal vedadas entre o solo e as paredes da casa e entre as paredes e as canalizações de água e gás e a instalação eléctrica.
 

 

O que fazer
 

 

- Ventilar bem todas as divisões da habitação, pelo menos, durante dez minutos por dia;
 

- Não isolar hermeticamente as janelas, as portas e as persianas, de forma a favorecer um certo nível de ventilação permanente;
 

- Tapar todas as fissuras e orifícios do chão e das paredes;
 

- Efectuar medições, caso se suspeite de que as concentrações são muito elevadas.
 

 

Para saber os níveis de radão da sua habitação, contacte o Instituto Tecnológico e Nuclear por telefone (21 994 60 00) ou via correio electrónico (dprsn@itn.pt). A análise custa cerca de 10 contos.
 

 

Competências das autoridades
 

 

Tratando-se de um problema que afecta a saúde pública não deveria, de forma alguma, ficar exclusivamente nas mãos dos cidadãos. Segundo a DECO, as entidades oficiais devem efectuar um rastreio geral do país e elaborar um “mapa do radão”, de forma a localizar o problema e criar legislação de forma a fixar limites máximos e estabelecer medidas de actuação em função da gravidade da situação.
 

 

Para a DECO, as recomendações da Comissão Europeia não chegam para que se tomem medidas. Exigir que o sector da construção civil tenha em conta o problema do radão, na escolha dos materiais empregues e, nas zonas mais propícias à acumulação de radão, obrigar a construir barreiras entre o solo e a casa, de forma a impedir a infiltração de radão no interior da habitação.
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Pro-Teste Saúde

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