Casamento não é garantia de felicidade

Depois da euforia vem a vida normal...

24 março 2003
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Quem pensa que casar lhe pode trazer felicidade pode ficar desiludido com este texto. Segundo um estudo, publicado recentemente no Journal of Personality and Social Psychology, da American Psychological Association, a maioria dos recém-casados vive uma breve euforia após a união, mas o seu nível de satisfação com a vida tende a retornar ao que era antes do casamento.
 

 

Ao longo de mais de uma década, os cientistas observaram mais de 24 mil pessoas. Cada ano que passava, os investigadores avaliaram o seu nível de satisfação com a vida, através de entrevistas e questionários, aos quais foram atribuídas notas de zero (totalmente infeliz) a 10 (totalmente feliz).
 

 

A média de satisfação decorrente do casamento foi muito pequena, ou seja, 0,1 na escala. Na análise científica ficou constatado que as pessoas não se sentem mais satisfeitas depois de se casarem do que antes.
 

 

O estudo, que levou 15 anos para ser concluído, também percebeu que as pessoas que já estavam satisfeitas com suas vidas antes do casamento tendiam a permanecer casadas por mais tempo. «As pessoas que se casam e continuam casadas já eram mais satisfeitas que a média muito antes de seu casamento», de acordo com o trabalho.
 

 

Os investigadores disseram que os resultados basearam-se na média e que a felicidade é uma experiência individual, reflectindo «o facto de que o casamento pode ser muito agradável e gratificante, mas tem potencial para ser muito stressante».
 

 

Mas o casamento não é a cura para todos os males. «Não há bilhetes mágicos para a felicidade. Os sinos do matrimónio podem (trazer felicidade) para algumas pessoas, mas a verdadeira felicidade está dentro de cada um e na sua própria vida, não no estado civil», considerou Dorian Solot, co-fundador da Alternatives to Marriage Project, da Universidade Rutgers.
 

 

Embora os casamentos duradouros tendam a ser felizes, uma constante busca por aquela euforia inicial pode ser desastrosa, disse Popenoe. «A vontade de manter o alto nível de felicidade durante todo o casamento - o que é impossível para a maioria - pode ser uma das razões para os divórcios», acrescentou.
 

 

O estudo também detectou que tanto viúvas como viúvos tendiam a não encontrar o mesmo nível de felicidade de que desfrutavam durante seu casamento, especialmente se esses eram satisfatórios. A maioria das pessoas que perdeu a mulher ou o marido e não se casou de novo levou oito anos para se recuperar emocionalmente.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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