Casamento é pouco importante para os portugueses

Estudo sociológico mostra um outro olhar sobre a conjugalidade

27 dezembro 2002
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Maioria dos casais que optam pela celebração pela igreja fazem-no mais por uma atitude conformista do que por pura convicção religiosa
 

 

As transformações sociais a que Portugal esteve sujeito nas últimas décadas implicaram alterações profundas, quer nas relações pessoais, quer novas maneiras de olhar a conjugalidade. Apesar da ideia de paridade entre homens e mulheres ser superior à média europeia, "mais do que serem realmente modernos, muitos portugueses gostam da ideia da modernidade, deixando ainda para trás as práticas correspondentes", conforme se conclui no livro o "Casamento em Portugal" (recentemente lançado pelas edições Celta).
 

"Os portugueses têm um discurso muito moderno sobre a conjugalidade", afirma Anália Torres, autora desta análise sociológica.
 

 

No entanto, estamos a falar de representações do casamento no domínio do "deve-ser". Os exemplos abundam: apesar de se defender a divisão igualitária das tarefas domésticas, esta raramente acontece; a maioria do casais acaba por não dispensar a formalização da união, embora entendam que o casamento em si mesmo tem pouca importância; em 70 por cento dos casos continua a celebrar-se uma cerimónia religiosa; no entanto, isto corresponde mais a uma atitude conformista e ritualista do que a pura convicção religiosa.
 

 

Ao nível da prática, o que transparece em Portugal, especialmente se o compararmos com outros países do Sul da Europa, "é uma taxa de actividade feminina muito elevada, o que dá às mulheres um maior protagonismo e poder na relação conjugal", salienta Anália Torres, neste momento presidente da Associação Portuguesa de Sociologia e professora no Departamento de Sociologia do Instituto de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). "As mulheres trabalham tanto como os homens", sustenta.
 

 

Se em alguns casos essa actividade feminina se traduz numa maior realização pessoal, noutros o que se evidencia é uma maior respeitabilidade social, existindo da parte dos homens "uma consideração especial pela mulher, porque sabem que ela contribuiu para o lar", afirma Anália Torres. Tudo isto faz com que exista uma crescente proximidade e sentido de entreajuda entre o casal.
 

 

Leia tudo no: Público
 

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