Casamento dos filhos pode depender dos pais

Relação entre casal influi na escolha de modelo conjugal

21 outubro 2001
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O exemplo dos pais pode ser determinante para certas escolhas de vida dos filhos. Pelo menos, no que diz e respeito aos relacionamentos intensos e duradouros durante a idade adulta.
 

 

Um estudo norte-americano revelou que rapazes com forte ligação aos pais - especialmente com o pai - estão mais dispostos a comprometer-se com o casamento quando adultos, quando comparados com os que não desenvolveram este vínculo.
 

 

Sharon Risch, autora do estudo, explica as diferenças: «Ao longo da vida conjugal dos pais, os rapazes são ensinados a aproximarem-se afectivamente das pessoas. Assim, este efeito será repetido nas suas atitudes a respeito de casamento e divórcio numa fase posterior das suas vidas».
 

 

Cerca de 800 jovens de 16 anos do Estado de Maryland, EUA, participaram na experiência de Risch. No início do estudo, os adolescentes responderam a um questionário destinado a avaliar as suas relações amorosas, bem como o tipo de relação entre os pais. Três anos depois, os investigadores entrevistaram o mesmo grupo de participantes - agora com 19 anos e considerados jovens adultos - a respeito das suas opiniões sobre casamento e divórcio.
 

 

De acordo com Risch, os rapazes - que aos 16 anos relataram ter uma forte ligação emocional com sua mãe e/ou pai sentiram-se «mais positivos a respeito do casamento» - aos 19 anos e também «menos propensos a divorciarem-se no futuro». Risch ressaltou ainda que os adolescentes mais próximos dos seus pais expressaram uma confiança ainda maior na sua capacidade de formar uniões duradouras à medida que se tornaram mais velhos.
 

 

Mulheres são mais afectuosas
 

 

Ao invés, relacionamentos familiares afectuosos durante a adolescência aparentemente tiveram pouco ou nenhum efeito significativo sobre as opiniões das mulheres a respeito de casamento e divórcio. Essa «diferença de género» faz sentido, de acordo com Risch, porque a sociedade geralmente ensina as raparigas «a serem mais afectuosas nos seus relacionamentos íntimos, bem como nas restantes relações pessoais.»
 

 

Por outro lado, os rapazes são «treinados» para serem menos afectuosos e mais independentes no que diz respeito aos relacionamentos. Risch acredita que «no caso dos rapazes, a ligação afectiva com os pais contrabalança esse efeito».
 

 

Nesse aspecto, e para contrariar esse tipo de socialização, o relacionamento de um rapaz com o pai pode ser até mais importante do que o compartilhado com a mãe, já que o pai permanece como o mais importante modelo masculino. Risch exemplifica: «Se o pai for machista na sua relação com a mãe, bem como nas relações em geral, provavelmente o filho também o será».
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

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