Casal australiano autorizado a criar um "bebé desenhado à medida"
16 abril 2002
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Um casal australiano foi autorizado a criar um "bebé desenhado à medida" que sirva como dador para a sua irmã mais velha, que sofre de uma doença genética mortal, foi hoje anunciado.  

 

A Autoridade para o Tratamento da Infertilidade do Estado de Victoria (VITA), organismo responsável pela regulação da fertilização artificial na Austrália, deu a sua permissão segunda- feira ao casal Roman Curkowsky e Tania Kutney.  

 

"As novas medidas vão permitir aos médicos seleccionar os embriões de fecundação in vitro de acordo com a sua compatibilidade genética com os irmãos doentes, como no caso de Christina Curkowsky", explicou Helen Szoke, chefe executiva da VITA.  

 

Designed baby  

 

No entanto, o método de selecção genética dos chamados "bebés desenhados à medida" (do inglês "designed baby") limita-se "unicamente ao uso do cordão umbilical ou da medula óssea dos embriões para salvar os seus irmãos doentes", indicou Szoke.  

 

A VITA proíbe o uso destes embriões no tratamento das doenças de adultos, incluindo os pais, pelo que cada passo deverá ser analisado individualmente pelo comité de ética de cada instituição responsável pela criação dos novos "bebés de rascunho".  

 

Tanto a chefe executiva da VITA como os pais de Christina, que sofre de anemia de Fanconi, rejeitaram o uso do termo "bebé desenhado à medida", considerando que supõe erroneamente que ele é manipulado geneticamente ao "nível embrionário".  

 

A mãe de Christina afirmou que espera que a sua filha consiga sobreviver pelo menos dezoito meses para que receba o transplante de sangue do novo bebé.  

 

Kutney explicou que ela e o marido deverão submeter-se a um tratamento, concebido pelos peritos da Universidade australiana de Monash em parceria com investigadores holandeses, "antes de se poder encontrar o embrião compatível".  

 

Se as provas tiverem êxito, uma vez nascido o bebé, as células precursoras ou embrionárias extraídas do sangue do seu cordão umbilical serão injectadas na medula óssea de Christina.  

 

A doença genética de que sofre Christina apenas pode ser curada com os embriões de um irmão "perfeitamente compatível".  

 

A VITA baseou a sua decisão numa autorização concebida no Reino Unido, no passado mês de Fevereiro, que permitia a um casal usar métodos de contracepção artificial para seleccionar não só um embrião saudável mas também um que pudesse servir como doador para curar o seu irmão.  

 

Uma família norte-americana transformou-se no ano passado na primeira a nível mundial a criar um bebé através de diagnostico genético de pré-implante para dar medula à sua filha de seis anos que sofre igualmente de anemia Fanconi.  

 

Fonte: Lusa  

 

 

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