Casais portugueses preferem doar embriões excedentários à ciência

Conclusões de estudo inédito em Portugal

20 abril 2015
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Um terço dos embriões criopreservados resultantes de tratamentos de infertilidade não são transferidos para os respetivos casais e, quando isto acontece, a opção normalmente recai na doação desses embriões à ciência, revela um estudo inédito em Portugal, noticiado pela agência Lusa.
 
A investigação levada a cabo pela especialista em medicina da reprodução, Margarida Silvestre, e apresentada nas Jornadas Internacionais de Estudos da Reprodução, em Óbidos, teve como objetivo avaliar a autonomia e responsabilidade nos casais que recorrem à Procriação Medicamente Assistida (PMA), nomeadamente ao nível do destino que é dado aos embriões excedentários resultantes dos tratamentos de infertilidade.
 
O estudo foi realizado por questionário e enviado a 27 centros públicos e privados. 
 
Os resultados revelaram que 55% dos casais tencionam transferir os embriões criopreservados num futuro próximo, tendo em mente um projeto parental, enquanto 35% não o tenciona fazer.
 
No caso dos casais que não pretendem transferir os embriões criopreservados, estes devem optar por um de quatro destinos alternativos designados por lei: prolongamento da criopreservação, descongelação e eliminação dos embriões, doação a outros casais ou doação para investigação.
 
Cerca de metade destes casais (47%) afirmou optar por doar os embriões para investigação, justificando a sua opção em 90% dos casos com a “vontade de ajudar a ciência a avançar”. 24% dos casais sem projeto parental para os embriões declarou pretender doá-los a outros casais e 23% revelou optar pela sua destruição.
 
Margarida Silvestre, em declarações à Lusa, relembra que a lei portuguesa determina que os casais submetidos a técnicas de PMA com criação de embriões in vitro são informados por escrito de que “todos os embriões viáveis não transferidos serão criopreservados”.
 
Os casais têm depois três anos para definir o destino dos embriões e, caso não o façam, estes serão destruídos, embora seja ainda possível, em casos pontuais, como em caso de doença da mulher, solicitar uma prorrogação de três anos.
 
Segundo a investigadora, em declarações à Lusa, à medida que o tempo vai avançando, diminui o projeto reprodutivo e aumenta o número de casais que não pretendem transferir os embriões criopreservados.
 
Para Margarida Silvestre, os formulários de consentimento informado que os casais preenchem desde 2009, referindo o destino para os embriões excendentários que possam resultar dos tratamentos, foi “uma mais-valia” para estes.
 
“Num contexto social de diversidade cultural e moral, de contenção económica e com regulamentação e requisitos rigorosos para a prática da PMA, os casais inférteis têm que definir o seu caminho na procura do filho desejado e assumir as inerentes responsabilidades como pais e guardiões dos seus embriões criopreservados”, conclui Margarida Silvestre.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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