CART-T é um marco no avanço do tratamento do cancro
Estudo publicado na revista “New England Journal of Medicine”
13 dezembro 2017
Uma terapia celular para o cancro revelou resultados muito promissores em ensaios clínicos com pacientes com linfomas que não tinham respondido a outros tratamentos.
Num estudo conduzido por várias instituições, investigadores desenvolveram um tratamento que envolve uma terapia celular conhecida como CART-T em que é efetuada a manipulação do sistema imunitário do paciente para atacar as células cancerígenas.
Para o tratamento, são recolhidas células T do paciente, as quais são geneticamente modificadas para incluírem um gene que instrui as células para exterminarem as células do linfoma. São depois inseridas milhões destas células no paciente.
Para o estudo, foram recrutados 111 pacientes de 22 centros clínicos. Os pacientes apresentavam linfomas de grandes células-B e ou não tinham respondido ou tinham sofrido recidivas após terem sido submetidos a pelo menos dois tratamentos, que incluíam quimioterapia e transplantes de medula óssea.
Foi observado que 42% dos pacientes se encontravam em remissão total após um período médio de 15,4 meses.
“Isto é impressionante, pois a maioria dos pacientes tinha esgotado todas as outras opções de tratamento”, comentou Patrick Stiff, da Universidade Loyola, EUA, e coautor do estudo. Apesar destes promissores resultados, o autor aconselha caução pois alguns dos pacientes tiveram recidivas após o tratamento e o mesmo é potencialmente tóxico.
Com efeito foram verificados efeitos adversos graves em 95% dos pacientes, como síndrome de libertação de citocinas, encefalopatia, confusão, sonolência excessiva, afasia, coma e outros. No entanto, a incidência de síndrome de libertação de citocinas e de problemas neurológicos foi diminuindo ao longo do estudo, possivelmente devido ao ganho de experiência pelos centros onde foi conduzido o estudo.
O tratamento usado neste estudo foi desenvolvido pela empresa farmacêutica Kite Pharma e os resultados do ensaio clínico mereceram a aprovação do tratamento Yescarta pela norte-americana Food and Drug Administration.
As farmacêuticas Novartis e Juno Therapeutics encontram-se igualmente a desenvolver tratamentos para o cancro a partir da terapia CART-T.
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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