Carne vermelha aumenta risco cardíaco

Estudo publicado na “Nature Medicine”

10 abril 2013
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Um composto presente na carne vermelha e adicionado como suplemento nas bebidas energéticas promove a aterosclerose, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Medicine”.
 

Estudos anteriores já tinham estabelecido uma relação entre o consumo de carne vermelha e o aumento do risco cardiovascular. Apesar do aumento deste risco ser em parte devido à presença de gordura e colesterol na carne, de acordo com os especialistas, há outros fatores que contribuem para esta associação.
 

Em 2011, foi constatado que a aterosclerose era promovida por um metabolito conhecido por N-óxido de trimetilamina (TMAO, sigla em inglês). Neste estudo os investigadores, liderados por Stanley Hazen, da Cleveland Clinic, nos EUA, constataram que as bactérias intestinais metabolizam a TMAO. Foi também verificado que uma dieta rica em L-carnitina promovia o crescimento da bactéria que metaboliza este composto, aumentando consequentemente a produção de TMAO.
 

Neste estudo os investigadores testaram os níveis de L-carnitina e de TMAO em omnívoros, vegans e vegetarianos, tendo analisado os dados clínicos de 2.595 pacientes que estavam a ser sujeitos a avaliações cardíacas. Foram também analisados os efeitos cardíacos de uma dieta rica em L-carnitina, em ratinhos, a qual foi comparada em animais cujos níveis das bactérias intestinais tinham sido suprimidos. Foi constatado que a TMAO alterava o metabolismo do colesterol, explicando desta forma como este metabolito aumenta o risco da aterosclerose.
 

Os investigadores constataram que níveis elevados de L-carnitina estavam associados a um maior risco de doença cardiovascular e eventos cardíacos como enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, mas apenas nos pacientes com níveis elevados de TMAO. Os autores do estudo também identificaram as bactérias do intestino que estavam associadas a níveis elevados de TMAO e tipo de dieta. Comparativamente com os omnívoros, os vegans e vegetarianos tinham níveis de TMAO basais mais baixos.
 

O estudo apurou que contrariamente aos omnívoros, mesmo após os vegans e vegetarianos consumiram elevadas quantidades de L-carnitina não produziam níveis significativos de TMAO.
 

"Uma dieta rica em L-carnitina altera de facto a composição microbiana do intestino para aqueles que gostam de L-carnitina, tornando os indivíduos que comem carne ainda mais suscetíveis à formação de TMAO. Por outro lado, vegans e vegetarianos têm uma capacidade reduzida para sintetizar TMAO, o que pode explicar os benefícios dessas dietas na saúde cardiovascular, revelou, em comunicado de imprensa, Stanley Hazen.
 

O investigador conclui que o metabolismo da L-carnitina poderá ajudar a explicar por que motivo uma dieta rica em carne vermelha promove a aterosclerose. Adiantando ainda que a L-carnitina não é um nutriente essencial e que o organismo o produz em quantidades necessárias.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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