Carne de cavalo: detetados vestígios de anti-inflamatório

Testes realizados pela Deco

11 março 2013
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Os problemas associados à carne de cavalo rotulada como produto de origem bovina podem ser mais abrangentes do que uma mera fraude económica, revelou à agência Lusa uma fonte da Deco.

 

A Deco detetou vestígios do medicamento anti-inflamatório fenilbutazona em produtos alimentares à venda em Portugal - nas amostras de hambúrgueres Auchan e nas almôndegas Polegar -, o que é proibido na alimentação humana. Esta substância é normalmente administrada em cavalos de desporto.

 

Em declarações à Lusa, o engenheiro-técnico alimentar da Deco, Nuno Dias, afirmou que, embora a quantidade da substância detetada não represente um perigo para a saúde pública, a associação alerta que o problema pode ser mais abrangente e demonstrar uma eventual falta de controlo de todo o processo - desde a alimentação do cavalo até ao abate.

 

"Os problemas podem ser mais abrangentes do que se pode pensar", disse Nuno Dias, dois dias depois de uma equipa da Deco, na qual participa este técnico alimentar, ter sido ouvida na comissão parlamentar da Agricultura e do Mar sobre esta matéria.

 

O especialista em saúde pública Mário Durval manifestou-se preocupado com a aparente facilidade com que se introduzem produtos sem garantias de segurança na indústria alimentar. “O que esta sucessão de acontecimentos em torno das carnes processadas nos mostra é que nós não temos a garantia de que não se processem na indústria produtos que não estão dentro das normas adequadas para o consumo humano”, disse à agência Lusa o especialista.

 

Para o médico, é mais preocupante a “facilidade com que se colocam produtos não garantidos na indústria alimentar”, do que terem sido detetados vestígios de anti-inflamatório em carne à venda em Portugal.

 

De acordo com Mário Durval a presença residual do anti-inflamatório na carne não terá grandes impactos imediatos na saúde dos consumidores: “Isto são situações residuais e ninguém vai morrer por ter consumido carne com resíduos de fenilbutazona”.
 

“Mas quem é que me garante que não põem outra porcaria qualquer com risco imediato? Em princípio, essas grandes indústrias e as grandes marcas são certificadas, mas têm aparecido todas com problemas”, questionou.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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