Cápsula para ver o intestino chega pela primeira vez ao Porto
11 julho 2001
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Está finalmente disponível em Portugal o sistema que permite realizar uma endoscopia ao tubo digestivo pela simples ingestão de uma cápsula.
 

 

Não é possível, com as actuais técnicas de endoscopia digestiva, realizar o estudo endoscópico do intestino delgado. “Este exame poderá dar, pela primeira vez, importantes informações, tais como a presença de lesões hemorrágicas e sua natureza, a detecção de lesões tumorais ou inflamatórias no intestino delgado”, esclarece Miguel Mascarenhas Saraiva, Gastrenterologista, responsável pela introdução desta nova técnica endoscópica na Unidade de Gastrenterologia dos Hospitais da Trofa e da Trindade.
 

 

Este exame constitui uma importante ajuda ao diagnóstico de um grande número de doentes com doenças no intestino delgado, que até aqui não tinham sido eficazmente diagnosticados. Sabe-se, por exemplo, que, dos doentes que acorrem às urgências hospitalares, cerca de 10% têm hemorragia digestiva.
 

 

Amanhã, dia 12, uma das primeiras unidades deste sistema, que foi adquirida por uma entidade privada (Manoph) vai ser instalada nas Unidades de Gastrenterologia do Hospital da Trofa e do Hospital da Trindade, no Porto.
 

 

A outra unidade está disponível ao utente no Serviço de Gastrenterologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra.
 

 

 

Como funciona?
 

 

A cápsula descartável avança através do intestino delgado movida pelos movimentos peristálticos (ondas de contracção) efectuados pelos músculos intestinais. O teste é feito em ambulatório, permitindo ao doente deslocar-se sem restrições, dentro ou fora do hospital/centro de diagnóstico, sem desconforto ou qualquer outra sensação resultante da passagem da cápsula.
 

 

A cápsula não tem qualquer ligação a um fio ou cabo, e leva no seu interior um sistema de lentes e um emissor de imagens, que são recolhidas num gravador que o doente transporta num cinturão, enquanto dura a gravação. No cinturão, para além do gravador, encontra-se uma antena que recebe o sinal emitido pela cápsula. No final do exame, que dura entre 6 a 8 horas, a informação é arquivada no aparelho de registo e “descarregada” para um computador. Um programa de software permite uma análise cuidadosa da gravação e um posterior diagnóstico médico.
 

Este método de endoscopia tem 3 componentes:
 

 

1- Cápsula (mede 25 mm por 11 mm) – mini-câmara revolucionária que transmite 2 imagens por segundo; é de uso único.
 

 

2- Gravador ambulatório - grava as imagens transmitidas pela cápsula, sendo transportado à cintura do doente;
 

 

3- Software de interpretação - permite efectuar a interpretação do exame, incluindo ligações para correio electrónico.
 

 

Actualmente a cápsula tem como principal indicação as hemorragias digestivas de origem obscura, estando em avaliação a sua utilização na doença inflamatória intestinal, patologia funcional (ex: síndrome do intestino irritável), detecção de pólipos e tumores benignos e malignos, SIDA, diarreias crónicas e síndromes de má absorção. De acordo com Miguel mascarenhas Saraiva, aguarda-se para breve a indicação deste exame para o estudo do intestino grosso (cólon).
 

 

As doenças crónicas do aparelho digestivo têm alta morbilidade e, consequentemente, importante repercussão económica devido a hospitalizações frequentes, incapacidade para o trabalho e necessidade de cuidados de saúde continuados.
 

 

Contacto médico:
 

Prof. Miguel Mascarenhas Saraiva, Gastrenterologista, Hospital da Trofa – TM: 917503558
 

Outro contacto: Mariana Rasteiro , Tel.: 210109106

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