Capacidade reprodutiva feminina: o efeito do envelhecimento uterino

Estudo da Faculdade de Medicina do Porto

05 abril 2012
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Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina do Porto venceu o Prémio Crioestaminal’2012, de 10 mil euros, para desenvolver um projeto que tem como objetivo caracterizar os efeitos do envelhecimento do tecido uterino na capacidade reprodutiva feminina.

 

Nas grávidas com idades acima dos 35 anos ocorrem mais episódios indesejáveis, tais como pré-eclampsia e restrições ao crescimento fetal, que poderão dever-se ao envelhecimento do corpo uterino. Embora os investigadores desconheçam os mecanismos que controlam este processo, levantam “a hipótese de ocorrerem alterações nos mecanismos uterinos de oxidação e antioxidação que geram uma situação de stresse oxidativo (envelhecimento)”.

 

“O que se tem notado é que há algumas complicações que surgem com mais de frequência nas mulheres mais velhas em comparação com mulheres mais jovens. As causas prováveis destas complicações, aumentadas em frequência, é que são objeto do estudo. O nosso alvo são mulheres que ficam grávidas mais tardiamente”, explicou à agência Lusa o investigador Henrique Almeida.

 

Esta é “uma abordagem com métodos da biologia molecular, da biologia celular e de questões clínicas. É a chamada medicina de translação, neste caso numa fase de translação da clínica para o laboratório e oxalá um dia se possa fazer essa translação do laboratório para a clínica para auxiliar no tratamento destes problemas”, disse Henrique Almeida.

 

O projeto em causa tem como objetivo “verificar a atividade de enzimas oxidantes e antioxidantes e avaliar a sua ação moduladora na sinalização da célula do miométrio”, explicam os seus autores.

 

Para isso, vão ser analisadas quarenta amostras de tecido uterino humano, recolhidas durante cesarianas em mulheres com idades compreendidas entre os 20 e os 40 anos, sensivelmente. "É importante conhecer os mecanismos que controlam esse envelhecimento para, depois, definir como os podemos controlar e até reverter”, sublinhou o investigador.

 

Se a hipótese de trabalho se confirmar, ou seja, “se encontrarmos um aumento do estado oxidativo no corpo uterino nas mulheres mais velhas em comparação com as mulheres mais novas, nós temos aqui uma possibilidade que é testar, propor ou recomendar a utilização de moléculas ou de nutrientes com efeito antioxidante mais marcado. E se houver evidência favorável neste sentido poder-se-á iniciar um outro tipo de estudo – de carácter iminentemente clinico - com vista a avaliar a eficácia desse tipo de tratamento.

 

A investigação está a ser desenvolvida em colaboração com o Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), a Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP) e a Unidade Maternidade Júlio Dinis - Centro Hospitalar do Porto.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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