Capacidade de leitura e matemática influenciada pelos mesmos genes

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

11 julho 2014
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Cerca de 50% dos genes que influenciam a capacidade de leitura das crianças também afetam as suas aptidões matemáticas, sugere um estudo publicado na revista “Nature Communications”.
 

Apesar de a capacidade de leitura e de matemática serem hereditárias, pouco se conhece sobre o sistema complexo de genes que afeta estes traços. De forma a tentar aprofundar mais esta temática, os investigadores da Universidade de Oxford e do King's College London, no Reino Unido, analisaram a influência da genética nas capacidades de leitura e de matemática de gémeos monozigóticos e dizigóticos (os chamados verdadeiros e falsos gémeos, respetivamente) com 12 anos de idade, oriundas de 2.749 famílias britânicas.
 

Os gémeos e as crianças sem qualquer relação de parentesco foram submetidas a testes de compreensão e fluência de leitura de textos, tendo também respondido a questões matemáticas. A informação destes testes foi combinada com dados de ADN, tendo sido demonstrado que havia uma sobreposição substancial nas variantes genéticas que influenciam a matemática e leitura.
 

“Analisámos esta questão de duas formas, comparando a semelhança entre milhares de gémeos, e medindo milhões de pequenas diferenças no ADN. As duas análises demonstraram que estas pequenas diferenças influenciam a capacidade de leitura e as aptidões matemáticas”, revelou, em comunicado de imprensa, o primeiro autor do estudo, Oliver Davis.
 

De acordo com o líder do estudo, Robert Plomin, este trabalho não identificou os genes que são especificamente responsáveis pela literacia ou pelas aptidões matemáticas. Contudo, sugere que a influência da genética em traços complexos, como os envolvidos na capacidade de aprendizagem, é causada por muitos genes de efeitos muito reduzidos.
 

Este estudo também confirma os resultados anteriormente encontrados, ou seja, as diferenças genéticas são responsáveis pela maioria das diferenças associadas à facilidade com que as crianças aprendem a ler e a fazer cálculos matemáticos.

 

“As crianças diferem geneticamente no que diz respeito à facilidade ou dificuldade com que aprendem, estas diferenças têm de ser reconhecidas e respeitadas. Contudo, apesar de a genética ter um peso considerável, não significa que nada possa ser feito perante as dificuldades de uma criança na aprendizagem, apenas significa que tem de haver um maior esforço pela parte dos pais, estabelecimentos de ensino e professores”, acrescentou o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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