Capacete corretivo não melhora deformação craniana posicional

Estudo publicado no “British Medical Journal”

08 maio 2014
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A utilização de um capacete corretivo não melhora a deformação craniana posicional, defende um estudo publicado no “British Medical Journal”.
 

Uma vez que os crânios dos bebés são muito maleáveis, a pressão constante sobre uma área específica pode fazer com que este mude de forma. Isto é o que ocorre na deformação craniana posicional que é principalmente causada pelo facto de o bebé dormir, durante longos períodos de tempo, na mesma posição.  
 

Estudos anteriores demonstraram que desde a campanha lançada, em 1992, pela Academia Americana de Pediatria, a qual aconselhou os pais a colocarem os seus filhos a dormir de barriga para cima de forma a diminuir o risco de morte súbita, o número de crianças afetadas por esta deformação craniana tem aumentando significativamente.
 

Apesar de a maioria das vezes esta deformação desaparecer naturalmente, em casos mais graves é necessário a utilização de um capacete, o qual é conhecido como órtese craniana. Este tratamento é iniciado quando a criança tem 5 ou 6 meses de idade, altura em que o crânio é ainda moldável. A órtese craniana deve ser utilizada até 23 horas por dia, tendo o tratamento uma duração de cerca de 3 a 6 meses.
 

Neste estudo, uma equipa de investigadores holandeses decidiu averiguar qual o impacto da utilização deste tipo de capacetes corretivos na deformação craniana posicional, tendo para tal contado com a participação de 84 bebés afetados por esta condição.
 

Metade das crianças foi obrigada a utilizar, a partir dos 6 meses, capacetes corretivos durante 23 horas por dia, ao longo de seis meses. A outra metade não foi submetida a qualquer tratamento.
 

Após terem avaliado a forma do crânio dos bebés aos dois anos de idade, os investigadores constataram que comparativamente com as crianças que não tinham utilizado o capacete corretivo, as que tinham utilizado não apresentaram melhorias significativas.
 

O estudo apurou que a utilização da órtese craniana fez com que 25,6% das crianças recuperassem completamente da deformação, tendo 22,5% conseguido os mesmos resultados sem qualquer tratamento.
 

Os investigadores constataram que 96% dos pais das crianças que utilizaram os capacetes queixaram-se que estas apresentavam pele irritada, 33% revelou que os seus filhos sentiam dor, 77% disse que o capacete os impediu de abraçar os filhos. Contudo, os pais disseram estar satisfeitos (4.6 em 5) com a forma que a cabeça dos seus filhos tinha adquirido aos dois anos de idade. Os pais das crianças que não foram submetidas a qualquer tratamento demonstraram um grau de satisfação semelhante, 4.4 em 5.
 

"Tendo em conta que a eficácia da utilização do capacete corretivo foi semelhante à conseguida sem tratamento, à elevada prevalência de efeitos colaterais, e aos elevados custos associados à terapia, desencorajamos a utilização de capacete corretivo como um tratamento padrão para crianças saudáveis e deformação craniana posicional moderada a grave”, revelaram em comunicado de imprensa os autores do estudo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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