Cannabis aumenta risco de depressão nos indivíduos geneticamente vulneráveis

Estudo publicado na revista “Addiction Biology”

03 novembro 2011
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Fumar cannabis aumenta o risco de desenvolvimento de sintomas depressivos, de acordo com uma investigação realizada pelo Instituto de Ciência Comportamental da Radboud University Nijmegen, na Holanda, e publicada online na revista “Addiction Biology”. Dois terços da população têm variações genéticas associadas à depressão.

 

A cannabis aumenta o risco de esquizofrenia e psicose. Além disso, já se acreditava que pudesse também estar associada ao risco de depressões, embora não existissem evidências claras acerca desta relação até ao presente estudo.

 

O investigador Roy Otten, do Instituto de Ciência Comportamental da Radboud University Nijmegen, suspeitava que esta falta de provas sobre o consumo de cannabis e a depressão se devia, em parte, ao facto de anteriores investigações não terem considerado a vulnerabilidade genética individual face à depressão.

 

Para realizar este estudo, Otten recolheu, durante cinco anos, dados relativos a um total de 428 famílias e dos seus filhos adolescentes. Em cada ano, os jovens responderam a um questionário sobre temas como os seus comportamentos e sintomas  depressivos.

 

Foi possível determinar, nesta amostra, a variante do gene da serotonina (5-HTT) responsável pelo aumento da vulnerabilidade ao desenvolvimento de depressão. Nos jovens com uma determinada variante do gene, o consumo de cannabis conduziu a um aumento dos sintomas depressivos.

 

“O efeito é vincado e permanece inclusivamente quando se tem em conta outra série de variáveis que podem causar este efeito, como o tabagismo, o consumo de álcool, a educação, a personalidade e o estatuto socioeconómico”, afirmou o especialista, em comunicado de imprensa.

 

“Algumas pessoas podem pensar que os jovens com predisposição para a depressão começam a fumar cannabis como uma forma de automedicação e que a presença dos sintomas depressivos é, portanto, a causa do consumo”, sublinhou o investigador.

 

Contudo, segundo Roy Otten, “a longo prazo, este não é, definitivamente, o caso”. “Embora o efeito imediato da cannabis possa ser agradável e provocar um sentimento de euforia, a longo prazo observamos que o seu consumo conduz a um aumento dos sintomas depressivos nos jovens com um genótipo específico”, conclui.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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