Canibalismo na origem da variante humana da BSE

Mutação genética protege contra a doença de Creutzfeldt-Jakob

10 abril 2003
  |  Partilhar:

Investigadores britânicos concluíram que a existência de mutações genéticas que conferem resistência às doenças de prião, de que é exemplo a variante humana da doenças das vacas loucas (BSE), constitui uma prova da prática ancestral do canibalismo.
 

 

Segundo as conclusões do trabalho, publicado na edição de sexta- feira da revista científica Science, a prática ancestral do canibalismo causou epidemias de doenças como a kuru e a Creutzfeld Jacob ou variante humana da doença das vacas loucas.
 

 

Estas doenças, que causam a morte por destruição dos tecidos do cérebro, têm na sua origem os priões, proteínas anormais desprovidas de ácido nucléico. A mais conhecida forma de contágio da doença passa pelo consumo de carne contaminada, mas algumas pessoas possuem mutações genéticas que as protegem contra estas doenças, os chamados polimorfismos.
 

 

Investigadores da Universidade de Londres, conduzidos por John Collinge, concluíram que os polimorfismos são versões mutantes do gene da proteína de prião e revelam sinais de terem sido espalhados pela população por meio da selecção natural. «O que estamos aqui a mostrar é uma evidência de que a selecção para esses polimorfismos foi muito disseminada ou aconteceu muito cedo na evolução dos homens modernos, antes do homem se espalhar pelo mundo inteiro», disse Collinge.
 

 

Sugerindo que o canibalismo poderia ter disseminado este tipo de doenças, aumentando a pressão para o desenvolvimento de genes protectores, o estudo dá como exemplo um povo da Papua Nova Guiné, devastado por uma epidemia de um doença do prião, a kuru, entre 1920 e 1950.
 

 

Entre as práticas deste povo figurava a ingestão dos parentes mortos durante as cerimónias fúnebres, o que se manteve até o canibalismo ser proibido, em 1950. Collinge estudou 30 mulheres que tinham participado nessas cerimónias e que ainda estão vivas, e descobriu que 23 tinham a variação genética que protege contra a kuru. É a mesma variação genética que ajuda a proteger contra a doença de Creutzfeld Jacob, notou o estudo. «Existem provas antropológicas extensivas de que o canibalismo não é uma raridade que aconteceu na Nova Guiné», notou Collinge.
 

 

Outras evidências de canibalismo pré-histórico incluem cortes e marcas de queimaduras em ossos de Neanderthais e análises bioquímicas a fezes humanas fossilizadas, disse.
 

 

Fonte: Lusa
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.