Canibal alemão não tem doença mental grave

Réu sofre de alienação da realidade

05 janeiro 2004
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Armin Meiwes, conhecido como o canibal alemão, não tem problemas mentais mas deve receber tratamento psicológico, afirmou o psiquiatra forense Heinrich Wilmer, durante o testemunho no caso que abalou a Alemanha e o mundo.
 

De acordo com o especialista, o réu sofre de alienação de personalidade, tem falta de empatia e de auto-controlo, mas não demonstra sinas de doença mental grave.
 

Wilmer dá consulta na prisão da cidade de Kassel, no centro da Alemanha, onde Meiwes, um especialista de computadores de 42 anos, está detido. Wilmer afirmou que o «canibal» precisa de acompanhamento psicológico, mas não deve ser transferido para um centro psiquiátrico especial.
 

Meiwes começou a ser julgado no dia 3 de Dezembro e confessou pormenores do assassinato do engenheiro Bernd Juergen Brandes, de 43 anos. Wilmer recusou-se a comentar se acredita que Meiwes possa reincidir no crime, e apenas sublinhou que o réu falou sem emoção sobre o homicídio. «Foi como se estivesse sentado à frente de um cientista que estava a efectuar um estudo», relatou.
 

E, na verdade, a vida de Armin Meiwes pode ser transposta para a tela, de acordo com o advogado de defesa, Harald Ermel. Além de ter manifestado a intenção de escrever um livro, Meiwes já entrou em contacto com várias produtoras cinematográficas.
 

Especializado em informática, Meiwes é acusado de ter esquartejado e devorado na sua casa, em Rotenburg, em Março de 2001, partes do corpo do engenheiro berlinense. É acusado de «homicídio por prazer sexual» e de se aproveitar do estado de debilidade psíquica de Brandes. Caso seja condenado, pode receber uma pena de 15 anos de prisão.
 

A defesa alega que se trata de «um homicídio a pedido», o que rende uma pena máxima de cinco anos de prisão. Ermel afirmou que Brandes tinha entrado em contado com outros três adeptos do canibalismo nos Estados Unidos. Para o advogado esses contactos mostram que Brandes consentia esses actos e que não foi morto «contra a sua vontade».
 

O acusado admitiu ter morto o engenheiro com diversas facadas no pescoço, depois de «anestesiá-lo» com bebidas alcoólicas e medicamentos para dormir. Depois disso, comeu cerca de 20 quilos durante várias refeições. O julgamento deve durar até o fim deste mês e a sentença será anunciada em Fevereiro.
 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

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