Cancro: um inovador tratamento com “minicélulas”

Estudo apresentado no Symposium on Molecular Targets and Cancer Therapeutics

13 novembro 2012
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Investigadores australianos desenvolveram um método, completamente inovador, capaz de direcionar com elevada precisão os fármacos anticancerígenos contra os seus alvos, as células tumorais. Este método que se baseou na utilização de “minicélulas” foi pela primeira vez testado em humanos e mostrou ser seguro, bem tolerado e capaz de induzir estabilidade em pacientes com cancro incurável e em estado avançado.
 

Os investigadores da empresa de biotecnologia, EnGeneIC, na Austrália, explicaram que a administração de fármacos anticancerígenos através das “minicélulas” teve como objetivo diminuir os efeitos adversos muitas vezes associados aos tratamentos quimioterápicos. As “minicélulas” foram desenvolvidas a partir de membranas celulares e colocadas na superfície de baterias geneticamente modificadas. Estas estruturas podem transportar várias substâncias químicas, como os anticancerígenos, e conter anticorpos capazes de se associar diretamente aos recetores encontrados nas células tumorais.
 

O estudo apresentado no Symposium on Molecular Targets and Cancer Therapeutics, na Irlanda, refere que deste modo as “minicélulas” têm como único alvo as células tumorais, dado que as células saudáveis não apresentam este tipo de recetores à sua superfície. Após detetarem a presença das bactérias, as células tumorais ativam os seus mecanismos de defesa. Consequentemente, as bactérias que têm as minicélulas acopladas são ingeridas ficando assim o núcleo das células tumorais expostas ao agente anticancerígeno.
 

No estudo, os investigadores testaram este novo método em 28 pacientes com cancros incuráveis e constataram que 10 destes estabilizaram após seis semanas de tratamento. “A principal conclusão deste estudo é que estas “minicélulas” podem ser administradas aos pacientes com cancro em fase avançada de uma forma eficaz. Adicionalmente foi também verificado que era possível dar múltiplas doses, um único paciente recebeu 45 doses durantes 15 meses. O único efeito adverso observado foi a febre. Contudo, para concentrações mais elevadas foram observados alterações nos testes funcionais do fígado”, revelou em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Benjamin Solomon.
 

“Esta nova tecnologia é a base para a administração de diferentes moléculas, incluindo fármacos e moléculas capazes de silenciar genes que causam a resistência a fármacos nos estádios finais do cancro. No futuro esta tecnologia vai permitir a administração personalizada de fármacos para o tratamento do cancro uma vez que o conteúdo das “minicélulas” pode ser ajustado ao perfil genético de cada paciente”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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