Cancro pode ser combatido de uma forma mais eficaz

Estudo publicado na “Nature Materials”

18 julho 2012
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Investigadores americanos conseguiram aumentar a eficácia do tratamento anticancerígeno através de um sistema inovador que simultaneamente é capaz de aumentar a resposta imunitária e neutralizar as moléculas secretadas pelas células tumorais, dá conta um estudo publicado na “Nature Materials”.
 

Os tumores são notáveis pela sua capacidade de produção de moléculas que confundem o sistema imunológico, diminuindo desta forma a capacidade de defesa do organismo. Para combater este efeito, alguns tratamentos anticancerígenos tentam neutralizar estas moléculas e aumentar a resposta imune dos pacientes, contudo raramente conseguem obter estes efeitos em simultâneo.
 

Assim neste estudo, os investigadores da Yale University, nos EUA, desenvolveram uma nova tecnologia de transporte de fármacos, os nanolipogeis (NLGs), que são capazes de albergar grandes quantidades de moléculas quimicamente distintas. Estas esferas biodegradáveis acumulam-se nos vasos sanguíneos dos tumores, libertando o seu conteúdo de uma forma controlada.
 

Os investigadores, liderados por Tarek Fahmy, utilizaram NLGs que continham dois componentes: um fármaco inibidor de uma molécula envolvida na defesa tumoral, o fator de transformação do crescimento beta (TGF-β) e a interleuquina-2 (IL-2), uma proteína que ajuda o sistema imunitário a responder a ameaças locais.
 

“Se pensarmos no cancro e no seu microambiente como um castelo e um fosso, os castelos são os tumores que desenvolveram uma estrutura altamente inteligente, as células tumorais e a vasculatura. O “fosso” é o sistema de defesa do tumor, o qual inclui o TGF-β. Assim, através da nossa estratégia conseguimos neutralizar esta molécula”, explicou em comunicado de imprensa Tarek Fahmy. Simultaneamente os investigadores conseguiram ativar a resposta imunitária na região do tumor circundante através da libertação da IL-2. “A citoquina pode ser vista como uma forma de conseguir mais reforços para ultrapassar o fosso e atingir o castelo”, explicou o investigador.
 

Como os dois tratamentos são libertados simultaneamente o organismo tem uma maior capacidade de se defender contra o cancro. Neste estudo, realizado em ratinhos, os investigadores tiveram por alvo os melanomas primários e os disseminados para o pulmão, tendo demonstrado que este tipo de terapia atrasava o crescimento do tumor, aumentava a sua remissão e a taxa de sobrevivência.

 

Os investigadores explicam que para tratar os melanomas de forma eficaz, os dois fármacos precisam de estar simultaneamente presentes no mesmo local e numa dose segura. Através da utilização de os NLGs, os autores do estudo conseguiram aplicar estes dois fármacos de uma forma sustentada e segura, tendo concluído que este sistema pode ser aplicado não apenas aos melanomas, mas a outros tipos de tumores.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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