Cancro: o lado “bom” e “mau” de uma proteína

Estudo publicado na revista “Cancer Cell”

12 fevereiro 2015
  |  Partilhar:

Investigadores americanos descobriram por que motivo a proteína TGF-β, que suprime a progressão do tumor nas células pré-malignas, pode também conduzir à disseminação do cancro, revela um estudo publicado na revista “Cancer Cell”.
 

Há muito que a comunidade científica tenta perceber como e quando o TGF-β altera as suas funções de supressor tumoral a promotor de metástases. Os investigadores da Universidade do Texas, nos EUA, acreditam ter encontrado a resposta ao terem demonstrado que uma outra proteína, conhecida por 14-3-3 zeta, pode alterar a TGF-β de supressor tumoral nas células pré-cancerígenas para promotor de metástases nas células do cancro da mama, através de proteínas que se associam à TGF-β.
 

Neste estudo, liderado por Dihua Yu, os investigadores explicam que a 14-3-3 zeta destabiliza uma proteína chave, a p53, que por sua vez altera a capacidade de a TGF-β suprimir os tumores. Por outro lado, a 14-3-3 zeta também promove a disseminação do cancro para os ossos ao estabilizar uma outra proteína denominada GLi2.
 

“O papel conhecido da TGF-β no cancro levou ao desenvolvimento de vários esforços para conceber inibidores da proteína nas terapias contra o cancro, mas a sua tendência para suprimir o desenvolvimento do cancro, embora servindo também como trampolim para o desenvolvimento de metástases, tem sido um grande obstáculo no desenvolvimento de terapias anti-TGF-β. Desenvolvemos um modelo que propõe que a natureza complicada da TGF-β pode ser controlada pelos efeitos celulares de proteínas SMAD”, revelou, em comunicado de imprensa, Dihua Yu.
 

As proteínas SMAD ajudam a regular a atividade de determinados genes, assim como o crescimento e divisão celular. Na sua essência estas proteínas transmitem sinais de TGF-β desde o exterior da célula para o interior, provocando um impacto no modo como a célula produz outras proteínas. As SMAD associam-se à natureza dual da TGF-β através da associação com a proteína p53 para suprimir os tumores nas células pré-malignas, auxiliando, por outro lado, a GLi2 a promover a disseminação do cancro para os ossos.
 

De acordo com os autores do estudo, uma melhor definição desta mescla de proteínas pode conduzir a novas terapias que tenham como alvo o papel fundamental do TGF-β no cancro de uma forma mais eficaz.
 

“Uma vez que o TGF-β desempenha um papel importante em várias funções fisiológicas é importante centramo-nos no desenvolvimento de fármacos específicos que tenham como alvo o TGF-β de modo a diminuir a sua capacidade de causar metástases, mas mantendo a sua capacidade de supressor tumoral nas células pré-cancerosas”, conclui Dihua Yu.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.