Cancro: o efeito benéfico das terapias epigenéticas conjuntamente com a imunoterapia

Estudo publicado na revista “Clinical Cancer Research”

17 setembro 2015
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As terapias epigenéticas fornecem benefícios clínicos adicionais aos pacientes oncológicos quando combinadas racionalmente com a imunoterapia, dá conta um estudo de revisão publicado na revista “Clinical Cancer Research”.
 
O termo “epigenética” refere-se ao estudo das alterações celulares na expressão genética que são hereditariamente transmitidas durante a replicação celular. As modificações epigenéticas não envolvem alterações estruturais da sequência do ADN, como no caso das mutações genéticas. Estas são “modificações químicas que ocorrem na estrutura do ADN em locais específicos que conduzem à ‘hipermetilação’ ou ‘hipometilação’ de elementos específicos do ADN que regulam a expressão de genes”, explicou um dos autores do estudo, Michele Maio.
 
O cancro foi a primeira doença humana em que as modificações epigenéticas demonstraram desempenhar um papel importante no desenvolvimento e progressão da doença.
 
Os investigadores do Instituto Toscano Tumori, em Siena, Itália, demonstraram recentemente que as alterações epigenéticas desempenham um papel importante na diminuição ou eliminação da expressão de determinadas moléculas encontradas na superfície das células. Estas moléculas têm uma ação fundamental no reconhecimento e eliminação das células cancerígenas pelo sistema imunitário. Como resultado, as células cancerígenas tornam-se invisíveis para o sistema imunitário, ficando este incapaz de eliminá-las do organismo. 
 
Com base nos estudos realizados até à data, os investigadores esperam que os fármacos epigenéticos possam ser eficazmente utilizados para restabelecer a expressão destas moléculas, tornando assim as células cancerígenas visíveis para o sistema imunitário.
 
Adicionalmente, este tipo de fármacos pode também diminuir ou eliminar tipos específicos de células imunitárias, como as células supressoras derivadas da linhagem mieloide, que estão associadas ao crescimento do tumor.
 
Estudos realizados em modelos de ratinho demonstraram que a combinação de fármacos epigenéticos, como os inibidores da DNA metiltransferase (DNMTi, sigla em inglês), com anticorpos imunomodeladores aumenta a eficácia terapêutica de cada fármaco isoladamente.
 
"Tal como o tango, que precisa de dois intervenientes em perfeita sintonia, os melhores resultados com imunoterapias contra o cancro necessitarão de uma perfeita interação entre o sistema imunológico dos pacientes e as células cancerígenas. À luz do seu potencial poder imunomodulador, os fármacos epigenéticos são, aparentemente, os melhores fármacos para fazerem parceria com as imunoterapias emergentes para atingir uma interação perfeita, e muito provavelmente irá proporcionar benefício clínico adicional para pacientes com cancro tratados com fármacos imunoterapêuticos", conclui Michele Maio.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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