Cancro: novo tratamento é bom, mas caro

Declarações de um especialista

07 julho 2015
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O tratamento do cancro através da ativação do sistema imunológico e utilização de moléculas biológicas tem "resultados muito interessantes", mas é caro e a sua aplicação vai depender da decisão dos responsáveis hospitalares.
 

"Estes tratamentos são uma grande revolução e estão indicados para cancros mais avançados, pois para cancros em fases iniciais temos outras alternativas", disse à agência Lusa o vice diretor do Instituto de Medicina Molecular (IMM).
 

Bruno Silva Santos explicou que o tratamento, na área da imunoterapia, chamado pembrolizumab, vai estar disponível em Portugal a partir deste mês e "é necessário que o Sistema Nacional de Saúde tenha dinheiro para comparticipar", uma decisão que "tem de ser tomada ao mais alto nível nos vários hospitais", pois é "realmente caro", custando cerca de 100 mil euros.
 

Relativamente ao ipilimumab, o outro tratamento que segue o mesmo princípio, já está aprovado nos EUA e na Europa e é utilizado em Portugal para o tratamento do melanoma metastático e "é impressionante o efeito que essa molécula teve", referiu o investigador.
 

"Trata-se de anticorpos, moléculas biológicas produzidas por células vivas", diferentes dos tratamentos feitos com drogas químicas, como a quimioterapia, e que começaram por ser usadas no tratamento do melanoma metastático, referiu.

 

No último ano, os resultados foram alargados a outros tipos de cancro, incluindo o do pulmão, e atualmente decorrem ensaios clínicos para perceber em que cancros sólidos estes anticorpos têm resultados mais interessantes.

 

"O que eles fazem é remover o travão que impede que o sistema imunitário, neste caso os linfócitos T, esteja ativamente a combater o cancro", e o objetivo é "reverter o processo em que o sistema imunitário está a perder a batalha para o cancro".

 

Até agora, tentava-se focar a luta nas células cancerígenas, eliminando-as com quimioterapia, radioterapia ou com cirurgia, mas em muitos casos os cancros são resistentes a estas terapias.

 

Para poder receber este tratamento, o doente não pode estar demasiado debilitado ou ter doenças autoimunes. "Se tivermos um tumor em estadio 1 e 2, os estados iniciais, ainda são relativamente fáceis [de ser] alvejados pelos outros tratamentos mais baratos, mais estabelecidos na clínica e de mais fácil acesso", enquanto a imunoterapia "surge para os estadios 3 e 4 que são casos mais avançados".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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