Cancro: nova forma de tratamento
07 abril 2014
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Investigadores suecos descobriram uma nova forma de tratar o cancro. O estudo publicado na revista “Nature” refere que esta nova estratégia baseia-se na inibição de uma enzima, a MTH1, necessária para a sobrevivência das células cancerígenas.

 

Nos últimos anos, o desenvolvimento de novos agentes anticancerígenos têm-se focado em defeitos genéticos específicos das células cancerígenas. Apesar de este tipo de abordagem ser inicialmente eficaz, ganha rapidamente resistência.

 

Neste estudo os investigadores de cinco Universidades suecas, lideradas pelo Instituto Karolinska e Laboratório de Ciências da Vida, na Suécia, constataram que, contrariamente às células saudáveis, todos os tumores investigados necessitam da MTH1 para sobreviver.

 

“Este conceito é baseado no facto de as células cancerígenas terem um metabolismo alterado, o que resulta na oxidação de nucleótidos”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Thomas Helleday.

 

Os investigadores referem que a MTH1 é capaz de “limpar” os nucleótidos (componentes básicos do ADN e ARN) oxidados, impedindo que o stress oxidativo seja incorporado e provoque danos no ADN. Desta forma, as células cancerígenas são capazes de se dividir e multiplicar.

 

No entanto, através da utilização de um inibidor da MTH1, a enzima é bloqueada e os nucleótidos danificados incorporam-se no ADN, causando danos e matando as células cancerígenas. Por outro lado, as células saudáveis não necessitam da MTH1, uma vez que estão equipadas com um mecanismo que impede a ocorrência de danos nos nucleótidos. “Encontrar uma enzima necessária apenas para a sobrevivência das células cancerígenas abre todo um novo caminho para o tratamento do cancro”, acrescentou o investigador.

 

Os investigadores desenvolveram um potente inibidor da MTH1 que mata seletivamente as células cancerígenas de tumores retirados cirurgicamente de pacientes com cancro da pele. “Quando vimos que os tumores de um dos meus pacientes com melanoma, que tinha desenvolvido resistência a todos as terapêuticas atuais, respondeu bem a este novo tratamento, ficámos extremamente felizes”, adiantou Thomas Helleday.

 

Noutro estudo pulicado na mesma revista foi também comprovado que a ação de substâncias previamente identificadas como tendo a capacidade para eliminar as células cancerígenas passa pela inibição da MTH1. “Agora que percebemos este conceito e provámos que funciona, podemos desenvolver inibidores muito seletivos”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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