Cancro: nova forma de o combater?

Estudo publicado na revista “Cell Reports”

24 maio 2016
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Investigadores suecos produziram anticorpos que reprogramam um tipo de macrófagos no tumor, aumentando a capacidade do sistema imunitário em reconhecer e eliminar as células cancerígenas, refere um estudo publicado na revista “Cell Reports”.
 

A imunoterapia, através da qual o sistema imunitário é melhorado para matar as células cancerígenas, está a mudar a forma como o cancro é tratado. Ao contrário dos outros tratamentos, a imunoterapia não tem por alvo o tumor em si, mas células imunitárias específicas de forma a ativar a capacidade do sistema imunitário em matar os tumores.
 

Em 2013, a revista “Science” referiu que a imunoterapia era o avanço mais inovador daquele ano. Os anticorpos que aumentam a capacidade dos linfócitos T em matar as células tumorais mostraram-se particularmente eficazes e criaram novas oportunidades para tratar cancros até à data incuráveis.
 

Contudo, para alguns pacientes a imunoterapia com linfócitos T não tem sido suficientemente eficaz. Alguns tumores ainda se conseguem esconder do sistema imunitário através da emissão de sinais que impedem as células imunitárias de os reconhecer. Outra razão para a falha ocasional da terapia está relacionada com o facto de os tumores desencadearem uma reação imunitária tão forte como, por exemplo, as infeções.
 

Neste estudo, os investigadores do Instituto Karolinska, na Suécia, focaram-se num tipo de células imunitárias, os macrófagos, que estão habitualmente envolvidos no combate à infeção. Contudo, alguns macrófagos afetam o ambiente nos tumores, facilitando a sobrevivência e disseminação das células cancerígenas. Nos tumores encontra-se um tipo de macrófagos que impedem os linfócitos T e outras células imunes de reconhecerem e matarem as células cancerígenas.
 

Os cientistas reprogramaram e ativaram estes macrófagos através da utilização de um anticorpo que tem por alvo uma proteína encontrada na sua superfície, que impediu que os tumores crescessem e se disseminassem nos ratinhos.
 

O estudo apurou que este tipo de macrófagos pode ser encontrado no cancro da mama humano e no melanoma maligno. Desta forma, os investigadores esperam desenvolver um anticorpo que possa ser utilizado para tratar estes pacientes.
 

“Esperamos que esta nova terapia, que até à data foi testada pré-clinicamente, possa um dia ser utilizada conjuntamente com outra imunoterapia para a tornar mais eficaz. Estamos também a analisar se este tipo de macrófagos nos tumores humanos pode ser clinicamente utilizado para o diagnóstico do cancro”, concluiu o líder do estudo, Mikael C.I. Karlsson.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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