Cancro: nova abordagem imunoterapêutica

Estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”

19 maio 2016
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Investigadores americanos desenvolveram uma nova abordagem imunoterapêutica contra o cancro que evita alguns dos efeitos associados a outros métodos, dá conta um estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

A nova abordagem incita um ataque do sistema imunitário contra os tumores através da alteração da identidade de células imunes-chave dispersas por todo o tumor. Estas células, conhecidas por linfócitos T reguladores (Treg), impedem que um outro tipo de linfócitos, os linfócitos T efetores (Teff) ataquem o tumor.  
 

Os investigadores do Instituto do Cancro Dana-Farber, nos EUA, verificaram que a eliminação de uma proteína-chave nas células Treg torna-as tão instáveis que se convertem em Teff, unindo-se na destruição do tumor.
 

O estudo apurou que a conversão das Treg em Teff ocorre apenas em condições inflamatórias que prevalecem dentro de muitos tumores. Desta forma, as Treg que se encontram nos tecidos saudáveis continuam a ter um efeito sobre a Teff, protegendo assim os órgãos e tecidos saudáveis de ataques. Isto levanta a possibilidade de desenvolver terapias que concentrem a potência do sistema imunológico nos tumores sem produzir danos residuais e efeitos secundários prejudiciais.
 

Harvey Cantor, um dos autores do estudo, explica que muitas das abordagens atuais da imunoterapia envolvem a eliminação ou bloqueio das Treg de forma a aumentar o número de Teff. Contudo, com este tipo de abordagem há o risco de desencadear uma resposta autoimune em que as Teff atacam as células saudáveis assim como o tecido maligno. “A chave da nossa abordagem reside na conversão de apenas as células Treg dentro do tumor, deixando as outras inalteradas”, explicou o investigador.
 

O estudo atual baseou-se num outro levado a cabo pela mesma equipa de investigadores que já tinha apurado que as Treg mantêm as suas propriedades imunossupressoras em condições inflamatórias, desde que tenham níveis elevados de uma proteína conhecida por Helios. Na ausência de quantidades suficientes desta proteína, as Treg perdem a estabilidade e transformam-se em Teff.
 

Neste estudo, os investigadores decidiram verificar se esta conversão poderia ser utilizada na terapia contra o cancro, utilizando ratinhos que não expressavam a proteína Helios nas células Treg. Quando os animais foram injetados com células do melanoma ou do cancro do cólon desenvolveram tumores mais lentamente que os ratinhos com células Treg normais.
 

A análise do tecido tumoral dos animais demonstrou que havia um grupo de células Treg instáveis, muitas das quais se tinham convertido em Teff.
Posteriormente, os investigadores avaliaram se a inibição da produção da Helios, através de anticorpos, nas células Treg dos tumores teria o mesmo efeito. Verificou-se que o anticorpo desencadeou a conversão das Treg em Teff.
 

Harvey Cantor referiu que estes achados representam uma nova etapa na imunoterapia contra o cancro. “Agora temos uma forma muito específica e dirigida de induzir um ataque por parte das células Teff, enquanto diminuímos o risco de efeitos adversos no tecido saudável”, concluiu.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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