Cancro no fígado poderá triplicar nos próximos 10 anos

Hepatite C: a causa principal

08 abril 2001
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De acordo com a Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF), os casos de cancro do fígado (Carcinoma Hepatocelular) associados à hepatite C irão aumentar nos próximos 10 anos de forma significativa. Assim, e tendo em conta os dados apresentados na sexta feira durante a 4ª Reunião Anual da Associação, a respectiva incidência anual, actualmente situada entre os 2% e 4% ao ano, poderá triplicar. O evento irá decorrer até às 19h de hoje na Quinta da Marinha em Cascais e conta com a presença de cerca de 200 especialistas médicos.
 

 

Um dos principais factores responsáveis por esta situação é o aparecimento de novos casos de hepatite C, hoje a principal causa de tumores no fígado e de transplantes hepáticos. Em Portugal, as listas de espera para estes casos tem vindo a crescer anualmente devido não só ao aumento de indivíduos diagnosticados mas também ao alargamento do processo de transplante a um maior número de doenças hepáticas.
 

 

Segundo Fernando Ramalho, Presidente da APEF, "em todos os centros nacionais o número de casos a transplantar e transplantados têm aumentado de uma forma significativa, não só porque os médicos portugueses estão mais alertados para os benefícios desta terapêutica e por outro lado pela melhoria dos aspectos técnicos cirurgícos e do controle da rejeição".
 

 

Actualmente, na unidade de transplante do Hospital Curry Cabral, o tempo de transplante para os tumores hepáticos é de uma semana a três meses e para as outras doenças entre 3 meses e um ano. Em Fevereiro deste ano, nesta unidade, aguardavam o respectivo transplante hepático 41 doentes.
 

 

De acordo com o mesmo responsável médico, "um dos problemas mais graves, um pouco à semelhança do que se passa em todo o mundo é a falta de órgãos a transplantar, pelo que é necessário recorrer a listas de espera. Estas condicionam os doentes e alguns correm o risco de morrer enquanto aguardam o transplante".
 

 

O programa de transplante hepático foi iniciado em Portugal em 1992 em Coimbra e, posteriormente implementado em dois centos no Porto e um em Lisboa. No total dos quatro locais, e até ao final de 2000, já tinham sido transplantados cerca de 620 casos.
 

 

A hepatite C afecta actualmente em Portugal entre 100 mil e 150 mil pessoas. Do total dos casos, apenas 20% são detectados pelos especialistas médicos e destes só 2% dos portugueses infectados com o vírus são tratados.
 

 

Fonte: APEF

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