Cancro necessita de uma “tempestade perfeita” para se desenvolver

Estudo publicado na revista “Cell”

31 agosto 2016
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Investigadores do Reino Unido e dos EUA demonstraram que as células precisam de uma “tempestade perfeita” para que o cancro se desenvolva. O estudo publicado na revista “Cell” ajuda a explicar por que motivo alguns órgãos são mais suscetíveis ao desenvolvimento da doença.
 

Os investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e do Hospital de Investigação Pediátrica St. Jude, nos EUA, demonstraram que os cancros são mais propensos a terem início nas células estaminais. Contudo, apesar de estas células serem mais suscetíveis ao desenvolvimento do cancro, necessitam da acumulação de erros no ADN e de se replicarem para reparar os danos ou desgaste para a doença ter início.
 

Estes erros no ADN podem ocorrer aleatoriamente à medida que as células estaminais se replicam e tendem a acumular-se com a idade. É por esta razão que o cancro é mais comum à medida que a idade avança. Os erros podem ser também causados por fatores ambientais, como o tabaco e a radiação UV.
 

De forma a averiguar como os cancros se desenvolvem nos diferentes órgãos, os investigadores, liderados por Richard Gilbertson, marcaram com uma substância fluorescente um grupo específico de células para monitorizar o seu comportamento. Posteriormente os cientistas inseriram erros no ADN associados a diferentes tipo de cancros.
 

O estudo apurou que, por si só, os erros no ADN não eram suficientes para causar cancro. Nos órgãos onde os erros no ADN foram colocados nas células estaminais dormentes, não se observou sinais de cancro. Por outro lado, nos órgãos expostos a muito desgaste, como o intestino, a introdução de erros no ADN nas células estaminais em replicação fez com que o cancro se desenvolvesse.
 

Com base nestes resultados, Richard Gilbertson refere que é provável que o cancro tenha início nas células estaminais e que não é apenas uma questão de azar. O desenvolvimento do cancro necessita de uma “tempestade perfeita” de células estaminais que contenham erros no ADN e que se estão a replicar em resposta a danos ou degaste.
 

De acordo com o investigador, este estudo também demonstra por que motivo alguns tipos de cancro são mais comuns que outros, com os tumores a desenvolverem-se mais frequentemente em órgãos com várias células estaminais em replicação, nomeadamente no intestino.
 

“Esperamos que descoberta de mais informação sobre a forma como o cancro se desenvolve nos ajude, tal como a outros cientistas no mundo inteiro, a criar novas formas de impedir e tratar o cancro”, concluiu.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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