Cancro na adolescência: desafio é maior devido às alterações que ocorrem nesta fase

3º Seminário de Oncologia Pediátrica

10 fevereiro 2017
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O tratamento do cancro na adolescência é um desafio maior devido a todas as mudanças características desta fase, mas aos profissionais de saúde cabe mostrar que a vida é muito mais do que a doença.
 
Maria de Jesus Moura, diretora da unidade de psicologia do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, referiu à agência Lusa que o “impacto da doença na vida de um adolescente” vais ser abordado no 3º Seminário de Oncologia Pediátrica que decorre em Lisboa, a 11 de fevereiro.
 
A especialista chama a atenção para o facto de a maioria dos adolescentes não ter contacto com doenças crónicas ou crónicas e complexas. “A experiência que têm de saúde e doença é distinta e mais associadas a anginas ou otites”, referiu.
 
De acordo com a especialista, “é preciso ajudar a compreender que um adolescente já percebe a doença, mas também precisa de tempo para integrar as mudanças que vão ocorrer na sua vida”. E são muitas e numa altura complicada da vida. 
 
“Em criança, esperamos que a curva da autonomia seja exponencial, mas a doença vem trazer uma dependência súbita”, acrescentou.
 
De repente “estes jovens ficam dependentes”. A doença também se avista como “um corte, a começar pelo ambiente escolar, numa altura em que mais precisam de estar com o grupo, de se envolver, de se sentirem integrados”.
 
A especialista referiu ainda que a vivência de uma doença como o cancro na adolescência “faz a diferença”, pois esta é a altura em que os jovens mais se isolam, mais estão fechados sobre si próprios, a chamada idade do armário”, que chega entre os 13 e os 14 anos nas raparigas e os 15 e 16 anos nos rapazes.
 
As equipas e famílias têm de encontrar estratégias integradas para lidar com a doença, pois “a adolescência é um mundo”.
Maria de Jesus Moura refere que cabe também aos profissionais de saúde transmitir várias mensagens. Primeiro, responsabilizar o adolescente para as questões de saúde.
 
“Se não gostam de ser tratados como crianças, então devemos explicar-lhes que a adesão à terapêutica é importante e responsabilizá-los por isso”.
Por outro lado, o objetivo das equipas é “normalizar o mais possível a vida destes jovens”.
 
“A doença é uma área da vida de uma pessoa, mas a pessoa é muito mais do que estar doente”, frisou.
 
A normalização deve passar por “maiores desafios: manter os hobbies, que às vezes têm de estar adaptados, manter as tarefas académicas, dar sentido de continuidade dos projetos e manter contactos com os outros”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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