Cancro: identificadas causas não genéticas

Estudo publicado na revista “Oncogene”

29 julho 2015
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O cancro pode ser causado por um mero desequilíbrio proteico dentro das células. O estudo publicado na revista “Oncogene” e realizado em células do cancro do ovário é um grande avanço, na medida em que as aberrações genéticas têm sido vistas como a principal causa da maioria dos cancros.
 
A investigação levada a cabo pelos cientistas da Universidade de Leeds, no Reino Unido, e da Universidade do Texas, nos EUA, demonstra que o desequilíbrio proteico é uma ferramenta de diagnóstico importante, indicando se os pacientes vão ou não responder à quimioterapia e se é provável o tumor disseminar-se para outras partes do organismo.
 
"Tem havido um grande investimento na sequenciação do genoma humano com a ideia de que se tivermos toda a informação genética relevante poderemos prever a predisposição para o cancro e, em última instância, utilizar uma abordagem baseada em medicina de precisão para desenvolver uma abordagem terapêutica. O nosso estudo demonstra que utilizar apenas o rastreio genético não é suficiente", revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, John Ladbury.
 
No estudo os investigadores focaram-se na via Akt, uma via de sinalização presente nas células e que impulsiona a formação e a disseminação do cancro. Em condições normais, a célula recebe sinais externos através de um recetor denominado FGFR2. Como resultado deste estímulo, o recetor é ativado dentro da célula, o que leva ao recrutamento de proteínas sinalizadoras e à ativação da via Akt, responsável pela proliferação da célula. Em algumas células cancerosas, esta via está permanentemente ativada. A abordagem típica seria tentar identificar a modificação genética responsável por esta ativação constante.
 
Contudo, os investigadores analisaram as células cancerígenas isoladas sem estimulação externa e constataram que a via Akt poderia ser ativada sem modificações genéticas. Verificou-se que as proteínas Plcγ1 e Grb2 competem pela ligação ao FGFR2. A concentração relativa destas proteínas vai ditar qual se vai ligar. Quando é a Plcγ1 que prevalece, a via Akt é ativada. Desta forma, o desequilíbrio na quantidade das duas proteínas pode conduzir à proliferação celular e à formação do cancro. 
 
O estudo também analisou se o desequilíbrio entre a Grb2 e a Plcγ1 era capaz de prever a evolução do cancro de ovário. Após terem medido os níveis de proteínas em tecidos de pacientes e terem realizado a posterior análise numa base de dados de informação clínica, os investigadores verificaram que níveis elevados de Grb2 relativamente ao Plcγ1 e FGFR2 estavam associados a um prognóstico significativamente mais favorável do que no caso de pacientes com níveis elevados de Plcγ1.
 
“Do ponto de vista do paciente, as principais conclusões são que estas proteínas são biomarcadores. Estas podem fornecer informações aos clínicos sobre quem vai ou não beneficiar da terapia. Do lado do tratamento, a interação das proteínas pode ser um alvo terapêutico válido”, conclui John Ladbury.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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