Cancro gástrico: novo marcador biológico foi identificado

Estudo publicado no “Journal of Clinical Oncology”

01 fevereiro 2013
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Uma equipa de investigadores do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) identificou um novo marcador biológico em doentes com cancro gástrico.
 

O objetivo do estudo agora publicado no Journal of Clinical Oncology e ao qual a Lusa teve acesso, foi de analisar sistematicamente a frequência e impacto de alterações somáticas no gene da Caderina-E (uma molécula de adesão imprescindível para a fisiologia e morfologia do estômago e dos tecidos epiteliais em geral) no prognóstico e sobrevida de doentes com cancro gástrico.
 

Os investigadores referem o facto de “cerca de 30% de todos os cancros de estômago apresentarem alterações que afetam a estrutura do gene e estas estarem associadas a menor sobrevida, o que obriga à reformulação na abordagem terapêutica nestes doentes”.
 

“Pela primeira vez propõe-se o uso da pesquisa de alterações da Caderina-E como biomarcador de estratificação terapêutica no cancro do estômago”, explicou a coordenadora desta investigação.
 

Em declarações à agência Lusa, Carla Oliveira referiu que as consequências deste estudo levam a que, quando se fizer um diagnóstico de cancro gástrico, além de uma biópsia para determinar a morfologia e histologia do tumor, se faça uma outra colheita para “análise de alterações da Caderina-E”, além da história clínica familiar dos doentes.
 

“Se o doente tem história familiar de cancro do estômago, se tem um tumor de tipo intestinal e alterações estruturais da Caderina-E, a concomitância destas três coisas, à luz dos nossos resultados quer dizer que este doente vai seguramente morrer por esta doença muito rapidamente”, explicou.
 

Considerando que ainda é necessário “evoluir no diagnóstico da doença”, a investigadora referiu que “se aliarmos os métodos de diagnóstico precoce com este método molecular para inferir o prognóstico, podemos medir a agressividade dos tumores por um lado e da sobrevida dos doentes, por outro”.
 

A investigadora referiu ainda que se o doente que vai à consulta tem história familiar de cancro intestinal e se tem um cancro com uma alteração estrutural da Caderina-E (alteração irreversível que destrói parte da proteína), a família desse indivíduo deverá ser sujeita a uma vigilância apertada para determinar se desenvolve um tumor parecido e, assim, interferir numa altura em que o tumor ainda não levará a morte do doente, que é o que atualmente acontece em 75% dos casos, a cinco anos”.
 

O cancro do estômago é, a nível mundial, a segunda causa de morte por cancro. Este alto índice de mortalidade deve-se em parte à incapacidade de prever como o cancro vai evoluir ao longo do tempo e à falta de “ferramentas” terapêuticas eficazes nesta patologia.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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