Cancro familiar da mama não é apenas passado geneticamente

Estudo publicado na “Nature Communications”

02 março 2018
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As mutações em genes do cancro da mama, como o BRCA1 e BRCA2, são identificadas em apenas cerca de 20% das mulheres que fazem testes genéticos para o cancro familiar da mama, indicou um estudo.
 
Liderado por Melissa Southey, do Departamento de Patologia Clínica da Universidade de Melbourne, Austrália, o estudo teve como base a análise de 210 pessoas de famílias com casos múltiplos de cancro da mama.
 
Como resultado, os investigadores identificaram 24 alterações epigenéticas anteriormente desconhecidas, as quais alteram o risco de uma mulher desenvolver cancro da mama e que podem passar despercebidas ao longo de várias gerações sem se verificarem alterações na sequência de genes do ADN.
 
“Para a maioria das mulheres que efetuam testes genéticos, não existe explicação para a sua predisposição para o cancro da mama”, explicou Melissa Southey.
 
“Este trabalho pioneiro não é apenas útil para mulheres de famílias com muitos casos de cancro da mama; vai melhorar o prognóstico do risco de cancro da mama em todas as mulheres, e abrir caminho para o desenvolvimento de terapias epigenéticas para o cancro da mama”, esclareceu.
 
Este estudo analisou alterações epigenéticas conhecidas como metilação do ADN, em que químicos do grupo metil modificam o ADN sem alterar a sua sequência. A metilação do ADN pode simular a variação genética, predispondo uma família para o cancro da mama.
 
A investigação é uma das primeiras a procurar sistematicamente no genoma locais onde a metilação do ADN pode ser hereditária e o primeiro a aplicar isso ao cancro familiar da mama.
 
“Os nossos métodos foram muito bem-sucedidos quando aplicados ao cancro da mama, e o que é notável é que podem ser aplicados a muitas outras doenças hereditárias”, comentou James Dowty, especialista em estatística e investigador neste estudo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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