Cancro dos ovários: nova abordagem terapêutica promissora em modelo animal

Estudo divulgado no “Nanomedicine: Nanotechnology, Biology and Medicine”

20 agosto 2015
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Novos avanços na utilização da terapia fotodinâmica para combater o cancro dos ovários mostrou resultados promissores em animais de laboratório, relataram cientistas da Universidade do Estado de Oregon e da Universidade do Nebraska, nos EUA.
 

O cancro dos ovários é um tipo de cancro agressivo com uma elevada taxa de mortalidade, devido, em grande parte, à metastização na cavidade abdominal, toxicidade da terapia e resistência das células cancerígenas aos tratamentos.
 

Um estudo levado a cabo por cientistas americanos procurou aumentar a eficácia da terapia fotodinâmica, que é usada neste tipo de cancro, utilizando compostos que reduzem as suas defesas naturais e tornam as células cancerígenas vulneráveis ao tratamento.
 

“A fototerapia dinâmica é uma abordagem diferente que pode ser usada como adjuvante à cirurgia durante a operação e que aparenta ser muito segura e não-tóxica”, afirma Oleh Taratula, investigador na Universidade do Estado do Oregon, em comunicado da instituição. “No passado, a sua eficácia foi limitada, mas os nossos achados poderão tornar esta tecnologia bem mais eficaz do que alguma vez foi”.
 

Para a investigação os cientistas administraram em ratinhos um composto fotossensibilizante denominado ftalocianina, que produz espécies reativas de oxigénio que matam as células quando estas são expostas a luz quase-infravermelha. Além disso, estes ratinhos receberam ainda uma terapia genética para baixar os níveis de defesa celular contra as espécies reativas de oxigénio.
 

Tanto a ftalocianina como a terapia genética, composta por ARN de interferência, foram colocados naquilo que os cientistas denominam de “nanoplataformas baseadas em dendrimeros”, uma nanotecnologia desenvolvida na Universidade do Estado de Oregon, que entrega os compostos de forma seletiva apenas a células cancerígenas e não a células saudáveis.
 

As células cancerígenas expressam em excesso a proteína DJ1, que está associada à metastização, à resistência às terapêuticas anti-cancerígenas e à sobrevivência destas células. Os cientistas acreditam que o sucesso desta nova abordagem terapêutica reside na capacidade de a terapia genética, composta por siARN, conseguir silenciar a sobre-expressão da DJ1.
 

Esta nova abordagem permite que a luz quase-infravermelha penetre em maior profundidade nos tecidos, aumentando significativamente, desta forma, a eficácia da terapia contra as células cancerígenas.
 

Quando os cientistas utilizaram apenas a terapia fotodinâmica, os tumores nos ratinhos voltaram a crescer passadas duas semanas. Contudo, nos ratinhos que receberam a terapia genética para enfraquecer as defesas das células cancerígenas, não houve evidência de recorrência de cancro. Além disso, os ratinhos que receberam esta terapia combinada continuaram a crescer e a aumentar de peso, o que indicou a ausência de efeitos secundários.
 

Desta forma, os autores deste estudo concluem que a sua investigação estabelece uma possível nova abordagem terapêutica para o cancro dos ovários que poderá ser combinada com outros avanços terapêuticos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A

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