Cancro do útero está a aumentar em Portugal

Uma situação derivada da falta de rastreio

29 outubro 2004
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A prevenção do cancro do colo do útero está a falhar em Portugal. A inexistência de um rastreio sistemático para despistagem de infecção pelo papiloma vírus (HPV) é uma das razões. A situação é tanto mais preocupante quanto se sabe que Portugal apresenta as mais altas taxas de incidência e de mortalidade da União Europeia. Uma investigadora do Instituto Nacional Ricardo Jorge (INRJ), Ângela Pista, defende que um programa de rastreio poderia evitar muitos casos. Assim, afirma, é preciso que, para além do exame citológico (vulgo papanicolau), se faça um exame para detecção da infecção e que seja verificado se a estirpe é de baixo ou alto risco. Um acompanhamento próximo das mulheres consideradas de maior probabilidade é o passo essencial para reduzir a incidência de um cancro que pode ser altamente mortal se for diagnosticado tardiamente e na fase invasiva.É que um estudo do INRJ, com uma amostra superior a 1600 mulheres, detectou mais de 20 por cento de casos de infecção latente, sem qualquer sintomatologia. O mais preocupante é ainda o facto de estas mulheres apresentarem citologias normais (ou seja, sem lesões), embora, muitas delas, estivessem infectadas pelo tipo de vírus de alto risco, associado ao carcinoma cervical. O estudo do INRJ estudou 1652 mulheres, 42 por cento das quais não tinham qualquer sinal clínico ou citológico de infecção por HPV. Quatro em cada dez mulheres analisadas estavam infectadas, e sensivelmente metade pelo vírus de alto risco. Os investigadores identificaram ainda uma estirpe rara (que alguns laboratórios nem sempre estão preparados para analisar), em 7,4 por cento das mulheres, particularmente nas que tinham citologias normais. Para esta equipa, «a presença de vírus de alto risco na citologia normal em lesões de baixo grau deve ser considerada como um factor preditivo de carcinogénese».Importante também é ainda o facto de ter sido observada «uma tendência para a ocorrência de formas clinicamente mais graves em idades mais jovens, ou seja, abaixo dos 45 anos». Segundo o presidente da Sociedade Portuguesa de Papilloma Vírus (SPPV), Rui Medeiros, «as mulheres sexualmente activas devem efectuar regularmente o exame ginecológico, já que a detecção precoce de alterações celulares ou de HPV podem ajudar a controlar a doença». Aliás, «a organização americana da saúde aprovou a utilização da pesquisa do HPV em combinação com a citologia».Fonte: Diário de Notícias

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