Cancro do rim: novo tratamento mostra-se mais eficaz do que o atual

Estudo publicado na revista “Nature”

08 setembro 2016
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Uma nova classe de fármacos, os inibidores HIF-2, é mais eficaz e mais bem tolerada que o tratamento padrão utilizado no cancro do rim, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 

Neste estudo, os investigadores do Centro Oncológico Harold C. Simmons, nos EUA, realizaram um ensaio pré-clínico em ratinhos nos quais foram transplantadas células de cancro do rim de mais de 20 pacientes. Verificou-se que o inibidor HIF-2 PT2399 era capaz de controlar o cancro em metade dos tumores.
 

Estudos anteriores realizados pela mesma equipa de investigadores já tinham apurado que os inibidores HIF-2 eram seguros em pacientes e tinham atividade mesmo nos pacientes pré-tratados. Agora, neste estudo, verificou-se que a inibição HIF-2 foi capaz de controlar o cancro do rim metastático mesmo após estes já terem sido alvo de tratamento.
 

Os HIF, como é o caso do HIF-2, permitem que as células do organismo se ajustem a ambientes com baixos níveis de oxigénio. Os HIF ativam programas que promovem o desenvolvimento de vasos sanguíneos, facilitam a entrega de oxigénio e promovem a utilização eficaz dos nutrientes. As células do cancro do rim sequestram o mesmo sistema para crescerem.
 

Os inibidores HIF-2 suprimem os efeitos do HIF-2, que incluem a diminuição dos níveis de uma proteína, a VEGF, que promove a formação de vasos sanguíneos necessários para o crescimento tumoral.
 

James Brugarolas, diretor do Centro do Cancro do Rim, explica que contrariamente aos inibidores da VEGF existentes, os inibidores HIF-2 bloqueiam a proteína apenas no cancro, não provocando, por isso, toxicidade cardíaca ou hipertensão.
 

Após terem comparado os dois fármacos, os investigadores verificaram que o inibidor HIF-2 era mais ativo que o sunitinib e que este tinha efeitos contra a progressão dos tumores que já estavam a ser tratados com sunitinib. Adicionalmente, observou-se que o inibidor HIF-2 era bem tolerado.
 

O estudo apurou ainda que um subtipo dos tumores não respondia aos fármacos, mas foi possível identificar biomarcadores que poderiam ajudar a determinar que pacientes são mais propensos a beneficiar da terapia com HIF-2.
 

O investigador refere que se acredita que o HIF-2 seja o impulsionador mais importante do cancro do rim. Contudo, proteínas como a HIF-2 foram rejeitadas como alvos terapêuticos, uma vez que a sua forma dificultava bastante o desenvolvimento de fármacos.
 

O HIF-2 também parece estar envolvido noutros tipos de cancros, como os cancros do cérebro mortais, glioblastomas, e cancro de pulmão de células não-pequenas, o tipo mais comum de neoplasia do pulmão.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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