Cancro do rim: novas descobertas

Estudo publicado no “Cancer Research”

20 maio 2015
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Um novo estudo levado a cabo por cientistas norte-americanos revela como o carcinoma das células renais (CCR) reprograma o seu metabolismo e consegue evitar o sistema imunológico.


Para esta investigação, os cientistas utilizaram uma combinação da abordagem proteómica e da metabolómica. A análise proteómica examinou de que forma o CCR afeta os níveis de diferentes proteínas, enquanto a metabolómica realiza algo semelhante com os metabólitos (compostos que resultam da metabolização de moléculas).


A combinação destes dois tipos de abordagem permite obter uma perspetiva mais completa dos mecanismos que orientam o cancro renal.


“Quisemos combinar a metabolómica com a proteómica para chegarmos a uma ‘teoria de campo unificada’ de forma a podermos analisar os metabólitos no cancro”, esclareceu o investigador.


A análise proteómica revelou de que forma o CCR aumenta os níveis de uma enzima que decompõe o aminoácido triptofano. O estudo proteómico, por sua vez, revelou que os metabólitos do triptofano reprimem o sistema imunológico.


Algo semelhante acontece com a glutamina. Ao manipular este aminoácido, o cancro renal elimina espécies reativas ao oxigénio, uma arma importante do sistema imunológico que ajudaria a destruir o cancro.


“Normalmente a vigilância imunológica destruiria o cancro, mas o CCR evoluiu de forma a suprimir o sistema imunológico, dando-lhe uma vantagem de sobrevivência”, revelou Weiss.


A investigação demonstrou ainda que o grau do cancro afeta esta remodelação. Enquanto o estadio do cancro indica o estado de progressão da doença, o grau descreve o quão anormal uma célula cancerosa se tornou. No caso do CCR, os cientistas descobriram que os cancros de grau mais elevado remodelavam os seus ambientes mais agressivamente.


“Muitas vezes tratamos os cancros do rim da mesma forma, independentemente do seu grau”, no entanto, Weiss alerta para a necessidade de se tomar em consideração o grau do cancro “e não apenas o estadio, quanto tratamos doentes”.


Desta forma, este estudo demonstra como a combinação da proteómica com a metabolómica pode ser útil para identificar mecanismos do cancro que, de outro modo, poderiam passar sem ser detetados utilizando apenas uma destas abordagens de forma independente.


Além disso, estes achados podem ainda ser úteis para melhor compreender de que forma o grau de um cancro pode afetar a capacidade de um tumor alterar o meio circundante e, desta forma, ajudar os oncologistas a desenvolver tratamentos mais personalizados.


Contudo, o mais importante poderá ser mesmo o facto de esta investigação apontar novos alvos terapêuticos, tais como as vias do triptofano e da glutamina, que podem ajudar os cientistas a libertar o sistema imunológico contra o CCR.


No futuro, os cientistas contam “testar inibidores contra algumas destas enzimas” para “impedir os tumores de criarem estes metabólitos imunossupressores”, adiantou Weiss.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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