Cancro do pulmão tem aumentado entre não fumadores

Conclusões de estudo do IPO

15 outubro 2015
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O número de casos de cancro do pulmão tem vindo a aumentar entre a população não fumadora, com especial incidência nas mulheres, revela um estudo do Instituto Português de Oncologia (IPO).
 
De acordo com a notícia da agência Lusa, trata-se do primeiro estudo de âmbito nacional e um dos maiores a nível europeu a caracterizar a população de um país relativamente ao Carcinoma do Pulmão de Não-Pequenas Células (CPNPC) – o tipo mais comum de cancro do pulmão – em não fumadores, onde os dados sobre o cancro do pulmão são escassos.
 
Sendo cerca de 90% dos casos do cancro do pulmão associados ao tabagismo, tem-se registado, contudo, um crescimento do número de casos deste tipo de cancro em indivíduos não fumadores, revela Cátia Saraiva, do Departamento de Pneumologia do IPO, em declarações à Lusa.
 
Nesse sentido, a investigadora e a sua equipa realizaram um estudo no IPO de Lisboa a 1.411 doentes com CPNPC com o intuito de identificar diferenças entre os dois tipos de doentes tratados no IPO nos últimos 25 anos.
 
Foram analisados 504 doentes não fumadores e 907 doentes fumadores a nível de “características clínicas, patológicas, epidemiológicas e a sobrevida destes doentes, no intuito de perceber fatores que pudessem estar relacionados com um melhor prognóstico”, explicou a especialista.
 
Os resultados da investigação revelaram que o CPNPC em não fumadores é mais frequente em mulheres (54% no grupo dos não fumadores e 9,4% no grupo dos fumadores), o subtipo histológico mais frequente é o adenocarcinoma (69,9% nos não fumadores e 43,6% nos fumadores), as comorbilidades associadas ao tabaco (como o cancro da laringe, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica ou a doença cardíaca isquémica) são menos frequentes e a sobrevida é melhor (51 meses nos não fumadores contra 25 meses nos fumadores).
 
“Isto leva-nos a concluir que o CPNCP em não fumadores é uma entidade clínica diferente, com melhor prognóstico, ou talvez se manifeste de forma diferente em não fumadores”, acrescentou.
 
Contudo, contrariamente ao expectável, o estudo revelou também que ambos os grupos de doentes continuam a ser diagnosticados no último estadio da doença, pelo que Cátia Saraiva alerta para que tanto profissionais de saúde como população em geral se mantenham alerta para os sintomas do cancro do pulmão, de forma a permitir um diagnóstico mais atempado e com maior benefício para os doentes.
 
No grupo de não fumadores mais de metade (59%) estavam já no estádio IV quando este foi diagnosticado, o que significa que o cancro se tinha espalhado a outras partes do corpo: diferentes áreas do mesmo pulmão, pulmão oposto, ossos e cérebro.
 
“Parece plausível que a população de não fumadores portugueses não está ciente dos riscos de cancro de pulmão, mas precisamos de confirmar os nossos resultados através de estudos de base populacional”, refere a investigadora.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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