Cancro do pulmão pode não se manifestar durante 20 anos

Estudo publicado na revista “Science”

14 outubro 2014
  |  Partilhar:

O cancro do pulmão pode manter-se dormente durante 20 anos no organismo antes de progredir de forma rápida e agressiva, atesta um novo estudo.
 

Desenvolvido por uma equipa de investigadores da Cancer Research UK, o estudo demonstrou que após um erro genético inicial que causa o cancro no paciente, a doença pode manter-se indetetável por um longo período, que pode ser de mais de 20 anos. A ocorrência de novos erros genéticos é que fará com que a doença se torne ativa de uma forma agressiva.
 

Durante o período de desenvolvimento súbito da doença, surgem diferentes erros genéticos em diversas partes do tumor. Segundo os investigadores, cada uma destas partes desenvolve-se de forma diferente sendo, de um ponto de vista genético, única.
 

Esta variedade de erros genéticos encontrada nos cancros do pulmão explica por que razão os tratamentos direcionados muitas vezes são ineficazes. A biópsia de um cancro do pulmão poderá revelar uma falha genética específica. No entanto, o tratamento escolhido irá incidir sobre as partes do tumor com a mesma falha genética, deixando as áreas com erros genéticos de diferentes tipos sem tratamento e, por isso, livres para se desenvolverem.
 

A equipa de investigadores analisou os cancros de pulmão de sete pacientes, que incluíam pessoas que nunca tinham fumado, ex-fumadores e fumadores.
 

Foi descoberto que o tabaco era o responsável por muitos dos erros genéticos iniciais que conduziam ao cancro do pulmão. No entanto, estes erros genéticos iniciais tornaram-se menos importantes à medida que a doença evoluiu. Os investigadores explicaram que a maioria das novas e múltiplas mutações causadoras de cancro são o resultado de um processo controlado pela proteína APOBEC.
 

A equipa espera que com esta descoberta se possa conseguir novos desenvolvimentos relativamente ao rastreio precoce da doença.
 

“Este fascinante estudo reflete a necessidade de se procurar novas formas de detetar o cancro do pulmão numa fase mais inicial, quando ainda segue um único caminho evolutivo. Se conseguirmos cortar a doença pela raiz e tratá-la antes que esta comece a trilhar diferentes caminhos evolutivos, poderíamos fazer realmente a diferença e ajudar as pessoas a sobreviver à doença”, afirmou o autor principal do estudo, Nic Jones.
 

A organização Cancer Research UK pretende continuar nesta linha de investigação, indo, para o efeito, analisar a evolução de centenas de cancros de pulmão, na expectativa de descobrir como é que o cancro se adapta, as mutações ocorrem e desenvolve resistência aos tratamentos.
 

Segundo a Fundação Champalimaud, em Portugal morrem cerca de 3.500 pessoas por ano devido ao cancro do pulmão, sendo a principal causa de morte por cancro nos homens e a quarta nas mulheres.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.