Cancro do pulmão: novo biomarcador identificado

Estudo publicado na revista “Oncotarget”

08 junho 2015
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Investigadores americanos descobriram uma proteína que é capaz de detetar o cancro do pulmão de não pequenas células (CPNPC) de uma forma mais eficaz do que os métodos atuais de rastreio, defende um estudo publicado na revista “Oncotarget”.
 

No caso da eficácia deste biomarcador ser confirmada num ensaio de maior dimensão, este poderá conduzir ao desenvolvimento de um teste sanguíneo simples que poderá ser utilizado nos rastreios anuais. Os investigadores do Instituto de Wistar, nos EUA, acreditam que este teste seria mais fácil de utilizar, mais preciso e menos invasivo do que a tomografia computadorizada de baixa dose, o método de rastreio do cancro do pulmão atualmente recomendado pela U.S. Preventive Services Task Force. Devido à sua precisão, este método também distinguiria melhor entre os tumores benignos do pulmão, que não apresentam ameaça, e os malignos, que podem crescer e disseminar-se.
 

Apesar de o cancro do pulmão ser uma das principais causas de morte por cancro, a sua taxa de sobrevivência de cerca de cinco anos aumenta drasticamente caso a doença seja detetada precocemente. De acordo com a Sociedade do Cancro Americana, no caso de o CPNPC ser detetado nos estádios iniciais, a taxa de sobrevivência de cinco anos é de 49%. Contudo, no caso de os pacientes serem diagnosticados quando o cancro já se encontra metastizado, o que significa que já se disseminou para outros órgãos, a possibilidade de sobreviverem cinco anos após o diagnóstico reduz para 1%.
 

Contudo, o atual método de rastreio recomendado é considerado invasivo e relativamente dispendioso para além de não ser muito preciso e não estar amplamente disponível a uma escala global.
 

Com o intuito de encontrar uma alternativa de rastreio mais eficaz, os investigadores focaram-se nos antigénios do cancro do testículo, uma vez que estes são muitas vezes encontrados nas células tumorais que circulam no sangue. Após terem analisado 16 destes antigénios, os investigadores constataram que a proteína AKAP4 poderia funcionar como um potencial biomarcador capaz de distinguir eficazmente os pacientes com e sem CPNPC.

Posteriormente o AKAP4 foi testado em 264 amostras de sangue de pacientes com cancro e 135 amostras controlo. Das 264 amostras, 136 eram provenientes de pacientes que tinham sido diagnosticados com CPNPC no estadio I. A eficácia do biomarcador foi analisada através da área abaixo da curva (do inglês, area under the curve (AUC)). Se AUC for 1 significa que o teste é perfeitamente capaz de distinguir os pacientes que têm ou não a doença.
 

Após terem comparado as 264 amostras de sangue de pacientes com CPNPC com as 135 amostras de controlo, os investigadores verificaram que o AUC correspondia a 0.9714. Quando apenas foram analisadas as 136 amostras com CPNPC no estadio I, o AUC foi de 0.9714. Apesar de a presença do AKAP4 aumentar com o estadio da doença, este biomarcador continuou a ser detetado em amostras de pacientes de doentes com cancro no estadio inicial.

 

"Os resultados do estudo excederam as nossas expectativas. O AKAP4 parece ser um biomarcador altamente eficaz para a deteção do cancro de pulmão de não pequenas células. Se formos capazes de confirmar estes resultados num estudo mais robusto, temos o potencial de desenvolver um novo método de rastreio mais preciso que poderia ajudar a salvar muitas, muitas vidas”, conclui o primeiro autor do estudo, Qihong Huang.

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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